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Sociobioeconomia movimenta R$ 2,7 trilhões no Brasil

A sociobioeconomia brasileira movimenta atualmente cerca de R$ 2,7 trilhões, o equivalente a 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O dado, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reforça o crescimento de um modelo econômico baseado no uso sustentável dos recursos naturais por comunidades indígenas, quilombolas, agricultores familiares e povos tradicionais. Apesar do avanço, especialistas alertam que o acesso ao crédito ainda é um dos principais desafios para ampliar o desenvolvimento do setor.
Durante muitos anos restrita às comunidades tradicionais e pouco conhecida pelo mercado, a sociobioeconomia começa a ocupar posição estratégica na economia nacional.
Segundo levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o segmento já movimenta aproximadamente R$ 2,7 trilhões, representando 25,3% do Produto Interno Bruto brasileiro.
O crescimento ocorre impulsionado por políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável, além do aumento do interesse da iniciativa privada por investimentos ligados à preservação ambiental e à geração de renda.
A sociobioeconomia reúne atividades produtivas que utilizam os recursos naturais de maneira sustentável, preservando os ecossistemas e valorizando o conhecimento das populações tradicionais.
Entre as práticas estão:
sistemas agroflorestais;
manejo sustentável da floresta;
produção de alimentos nativos;
extração de óleos vegetais;
recuperação de áreas degradadas;
produção sustentável de madeira e frutos.
Políticas públicas fortalecem o setor
Para a diretora executiva da Conexsus, Fabíola Zerbini, a inserção da sociobiodiversidade em políticas públicas nacionais contribuiu para tirar o setor da invisibilidade.
Ela destaca iniciativas como o Plano de Transformação Ecológica e instrumentos de financiamento verde, como o programa Ecoinvest, que passaram a reconhecer a importância econômica da conservação ambiental.
Segundo a especialista, fortalecer esse segmento significa investir simultaneamente em desenvolvimento econômico, justiça social e combate às mudanças climáticas.
Crédito ainda é um dos maiores desafios
Apesar do crescimento, o acesso ao financiamento continua sendo um obstáculo para milhares de cooperativas e associações comunitárias.
Grande parte das linhas tradicionais de crédito foi criada para empresas convencionais e não contempla as características dos empreendimentos comunitários baseados na sociobioeconomia.
Essa limitação dificulta investimentos em estrutura, beneficiamento, logística e comercialização.
Cooperativa de Minas Gerais transformou a castanha de baru em fonte de renda
Um exemplo é a Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária (Copabase), localizada em Arinos, no Cerrado de Minas Gerais.
Com 165 cooperados, a entidade produz polpas de frutas e produtos derivados do baru.
A cooperativa só conseguiu acessar sua primeira linha de crédito após mais de dez anos de funcionamento.
Segundo a gestora ambiental Anny Caroliny Rocha, o financiamento permitiu ampliar a compra da castanha de baru e mostrou aos produtores que a árvore vale mais preservada do que utilizada apenas para extração de madeira.
Hoje, além de gerar renda, o modelo incentiva a conservação do Cerrado.
Produção sustentável beneficia mais de 1,5 mil famílias na Amazônia
No Amazonas, a Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), localizada em Lábrea, também enfrentou dificuldades para acessar crédito.
A entidade produz óleos vegetais de copaíba, andiroba e manteigas naturais de murumuru e tucumã, beneficiando mais de 1.500 famílias.
Segundo a presidente Marcikely Ferreira, somente com apoio técnico especializado foi possível conseguir financiamento para ampliar a produção e contratar trabalhadores durante os períodos de maior demanda.
Programa quer liberar R$ 5 bilhões até 2030
Para ampliar o acesso ao crédito, a Conexsus, o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Banco do Brasil criaram o Programa Implementa Sociobio.
A meta é disponibilizar R$ 5 bilhões em financiamentos até 2030 destinados exclusivamente aos empreendimentos da sociobioeconomia.
O programa pretende fortalecer cadeias produtivas sustentáveis, ampliar a assistência técnica e facilitar o acesso das comunidades aos mercados consumidores.
Segundo o vice-presidente de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, a iniciativa busca unir desenvolvimento econômico, inclusão produtiva e conservação ambiental.
Benefícios vão além da geração de renda
Especialistas afirmam que a sociobioeconomia produz benefícios que ultrapassam a comercialização dos produtos.
Ao manter florestas em pé e estimular práticas sustentáveis, o setor contribui para:
reduzir emissões de gases de efeito estufa;
conservar recursos hídricos;
preservar a biodiversidade;
diminuir riscos de eventos climáticos extremos;
fortalecer a economia regional.
Na avaliação de Fabíola Zerbini, investir na sociobioeconomia significa reduzir custos futuros relacionados às mudanças climáticas e construir um modelo econômico mais resiliente para o Brasil.
Perguntas frequentes
O que é sociobioeconomia?
É um modelo econômico baseado no uso sustentável dos recursos naturais por comunidades tradicionais, conciliando geração de renda, conservação ambiental e inclusão social.
Quanto a sociobioeconomia movimenta no Brasil?
Segundo a CNI, cerca de R$ 2,7 trilhões, equivalente a 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Quais comunidades participam desse modelo?
Principalmente povos indígenas, quilombolas, agricultores familiares, extrativistas e outras comunidades tradicionais.
Qual é o principal desafio do setor?
O acesso ao crédito ainda é limitado, dificultando investimentos e expansão das cadeias produtivas sustentáveis.
 
Com informações de Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

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Fonte: News Rondônia

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