O professor de economia da Universidade de Londres, Pedro Gomes, defende que a redução da jornada de trabalho para o modelo de quatro dias por semana (4×3) é uma prática de gestão viável e necessária para a economia moderna. Com base em seu livro “Sexta-Feira é o Novo Sábado”, o especialista acompanhou a implementação voluntária do modelo em 41 empresas portuguesas de diferentes setores. Os resultados indicam que a mudança melhora o ambiente de trabalho e diminui o absentismo, sem gerar custos financeiros para 90% das companhias pesquisadas.
Para o economista, a redução do tempo de trabalho em países como o Brasil, incluindo o fim da escala 6×1, é compensada pelo aumento da produtividade por hora. Historicamente, melhorias nos processos produtivos equilibram a redução das horas trabalhadas, evitando o aumento de custos para as empresas. Entre as reorganizações profundas citadas para o sucesso do modelo estão a diminuição da duração de reuniões e a adoção de escalas mais eficientes em dias de menor movimento.
Estímulo à indústria do lazer e turismo
Além dos ganhos operacionais dentro das empresas, o tempo livre adicional dos trabalhadores atua como um potente incentivo econômico para os setores de lazer, cultura e entretenimento. Pedro Gomes cita exemplos históricos, como a redução da jornada para 40 horas semanais por Henry Ford em 1926, que ajudou a consolidar a indústria de Hollywood nos Estados Unidos. Da mesma forma, a adoção de fins de semana de dois dias na China em 1995 transformou o mercado de turismo interno daquele país no maior do mundo.
No contexto brasileiro, a redução da jornada é vista como uma forma de valorizar o trabalhador, que frequentemente enfrenta longos períodos de deslocamento para o serviço. A mudança também é apontada como benéfica para a equidade de gênero, facilitando a conciliação entre a vida profissional e familiar. O especialista argumenta que o Brasil possui um “potencial enorme de turismo” que poderia ser explorado com a ampliação do tempo livre da classe média e dos trabalhadores em geral.
Impacto no PIB e produtividade
O economista contesta previsões alarmistas de que a redução da jornada causaria queda no Produto Interno Bruto (PIB). Uma análise de 250 casos de redução de jornada por via legislativa desde 1910 mostrou que a média de crescimento do PIB subiu de 3,2% para 3,9% após as reformas. Esses dados reforçam que os efeitos macroeconômicos e o aumento da produtividade superam a diminuição das horas trabalhadas, mantendo a economia em expansão.
Das empresas portuguesas que testaram a jornada reduzida:
52% decidiram manter definitivamente os quatro dias de trabalho.
86% registraram aumento de receitas em relação ao ano anterior após a mudança.
70% relataram melhorias significativas em seus processos internos.
Apenas 19% optaram por retornar ao modelo tradicional de cinco dias (5×2).
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Fonte: News Rondônia