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Relatórios revelam que Suíça monitorou e perseguiu brasileiros durante a ditadura

Novas revelações do projeto “Perdas e Danos” expõem a colaboração das autoridades suíças com o regime militar brasileiro entre as décadas de 1960 e 1970. Relatórios policiais e correspondências diplomáticas, analisados por pesquisadores da Universidade de Lausanne, confirmam que o governo suíço monitorou ativamente ativistas brasileiros exilados e ignorou denúncias de tortura para preservar fortes laços comerciais com a ditadura. Entre os vigiados estava Jean Marc Von der Weid, estudante de dupla nacionalidade que utilizou sua liberdade na Europa para denunciar as violações de direitos humanos ocorridas nos porões do Deops.
Jean Marc foi um dos 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher em 1971. Em solo europeu, ele iniciou uma maratona de palestras detalhando métodos como o pau de arara, choques elétricos e queimaduras. No entanto, sua atuação incomodou a diplomacia suíça. Documentos de março de 1971 mostram que a polícia de Lausanne transcreveu integralmente discursos de ativistas em conferências sobre a democratização da tortura. O monitoramento visava conter movimentos de solidariedade que poderiam levar a opinião pública suíça a exigir boicotes econômicos contra o Brasil.
A investigação aponta que a Suíça possuía pleno conhecimento das atrocidades. Em outubro de 1973, o cônsul suíço no Rio de Janeiro, Marcel Guelat, enviou um documento ao Ministério das Relações Exteriores de seu país confirmando o uso de métodos brutais por unidades do exército brasileiro. Mesmo ciente dos crimes, o Estado suíço optou pela perseguição aos opositores do regime. Exilados como Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor foram expulsos do país sob a justificativa de “quebra de neutralidade”, uma decisão comemorada pelo governo brasileiro da época em informes internos da Presidência da República.
Questionada sobre o teor das revelações, a embaixada da Suíça no Brasil afirmou em nota que uma resposta detalhada exigiria pesquisas históricas profundas, fora do alcance da administração federal atual, mas saudou a realização de estudos independentes sobre o tema. As descobertas reforçam a tese de que a neutralidade suíça foi seletiva, priorizando lucros de empresas que organizavam jornadas econômicas para promover uma imagem positiva do “milagre econômico”, enquanto silenciavam vozes que clamavam por justiça e democracia no Brasil.
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Fonte: News Rondônia

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