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O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou em entrevista ao SBT News que a comissão teve acesso a documentos financeiros obtidos a partir da quebra de sigilo bancário do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e que o material aponta circulação de recursos entre o grupo investigado e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“A gente tem informação que aponta circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Não é razoável dizer agora que essa circulação de recursos é ilícita. Moralmente falando, é absolutamente reprovável. Juridicamente falando, a gente vai ter que ter mais passos para constatar”, declarou o senador. Os documentos analisados pela CPI permanecem sob sigilo.
Segundo Vieira, as informações foram obtidas a partir de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os relatórios não correspondem a extratos bancários completos, mas registram movimentações consideradas incomuns pelo sistema de monitoramento financeiro. “Da Reag tem 200 laudas, do Banco Master tem 80 páginas. São muitas informações de ações e transferências de recursos totalmente atípicas ou suspeitas”, disse o relator.
No caso de Toffoli, Vieira afirmou que o ministro “é sócio oculto de um fundo patrimonial e tem cotas no resort”. O próprio ministro confirmou participação societária na empresa Maridt Participações, da qual é sócio com os irmãos. A empresa detinha cotas do Grupo Tayaya Ribeirão Claro, que foram vendidas ao Fundo Arlen em setembro de 2021. Em fevereiro de 2025, a posição foi liquidada com a venda para a PHD Holding. Toffoli foi relator do inquérito que investigava fraudes envolvendo o Banco Master no STF até 12 de fevereiro deste ano, quando se declarou suspeito para julgar o caso. A decisão foi tomada após reunião tensa com os demais ministros da Corte.
No caso de Moraes, o ponto das investigações recai sobre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. O escritório firmou um contrato com o Banco Master que previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos, com mensalidades de R$ 3,6 milhões a partir de 2024, de acordo com documento apreendido pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero. O contrato foi encontrado no celular de Daniel Vorcaro no momento de sua prisão. O escritório Barci de Moraes confirmou ter firmado o contrato, mas negou qualquer atuação em causas do Banco Master perante o STF, afirmando que 15 advogados participaram das ações jurídicas ligadas ao banco.
Vieira questionou a proporcionalidade dos serviços prestados. “Quando o Master contrata o escritório de advocacia da esposa do Alexandre de Moraes, está contratando um serviço jurídico? Esse escritório prestou serviço correspondente aos valores recebidos? Até o momento, o indicativo é de que não”, declarou o senador. O escritório anunciou na segunda-feira (16) que ingressará com ação por calúnia e difamação contra Vieira na Justiça Estadual de São Paulo, com pedido de condenação por danos morais. Em resposta, o senador chamou o processo como “tentativa de intimidação” e negou ter feito a declaração nos termos descritos pelo escritório. “A afirmação deles é que eu teria dito em alguma entrevista que dinheiro do PCC circula pelas contas de familiares do ministro. Eu não falei isso”, escreveu Vieira nas redes sociais.
“A gente avança com muito cuidado para não cometer injustiças, mas já é muito evidente que tem ali uma aparente lavanderia. (Há) o uso de vários fundos em cadeia para lavagem de dinheiro de diversas origens, como do PCC, pagamento de autoridades, de servidores públicos de carreira, políticos, e deste grupo criminoso para familiares de ministros”, emendou Vieira. Moraes negou as acusações. O STF informou que não se manifestaria sobre o assunto.
A PGR, acionada, arquivou pedido para investigar Moraes, sua esposa e o Banco Master em dezembro do ano passado. O procurador Paulo Gonet afirmou não visualizar qualquer ilicitude. “No que tange ao contrato mencionado entre a Doutora Viviane Barci de Moraes e o Banco Master, não se vislumbra, a priori, qualquer ilicitude que justifique a intervenção desta instância.”
A CPI do Crime Organizado foi instalada em novembro de 2025 com o intuito de investigar a atuação de facções criminosas no Brasil, incluindo seus mecanismos de financiamento. Como a investigação de ministros do STF não fazia parte do escopo original da comissão, um grupo de 38 senadores apresentou documento para a criação de uma CPI específica voltada ao tema. Vieira é autor desse requerimento, que propõe investigar diretamente as relações entre ministros da Corte e executivos ligados ao Banco Master. O senador também afirmou que a investigação sobre ministros do STF é uma frente inédita no país. “Em todos poderes, nós já tivemos apurações e punições quando os fatos são comprovados. O que é inédito é fazer apuração no tocante a ministro do Supremo. Mas aquela toga preta não é uma toga de impunidade.”
Fonte: Conexão Política

