Se Liga Rondônia
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PROMETEU, COBROU E AGORA PROMETE DE NOVO? O QUE FICOU PELO CAMINHO NA TRAJETÓRIA DE MARCOS ROGÉRIO

No plenário do Senado, em entrevistas e durante campanhas eleitorais, o senador costuma adotar um discurso duro contra governos que, segundo ele, prometem demais e entregam de menos.

Mas quando o mesmo critério é aplicado à sua própria trajetória política, surge uma pergunta desconfortável:

e as promessas e bandeiras que Marcos Rogério defendeu durante anos? Onde estão os resultados?

A pergunta ganha ainda mais força agora, quando o senador volta a colocar seu nome na disputa pelo Governo de Rondônia.

Não se trata de dizer que ele, como senador, tinha poderes para executar sozinho obras estaduais ou federais. Não tinha.

Mas se trata de comparar o que foi dito, o que foi anunciado, o que foi defendido e o que efetivamente aconteceu.

E nessa comparação aparecem algumas contradições que merecem explicação.

“PROMESSAS DEMAIS, RESULTADO DE MENOS” — MAS E AS SUAS?

Em dezembro de 2024, Marcos Rogério criticou o Governo de Rondônia no Senado e utilizou uma frase forte para resumir sua avaliação:

“Promessas demais, resultado de menos.”

O senador cobrava obras e investimentos que, segundo ele, haviam sido prometidos à população.

A frase, entretanto, pode ser devolvida ao próprio autor:

Quando o assunto são as bandeiras defendidas por Marcos Rogério, há promessas demais e resultados de menos?

A pergunta é incômoda, mas perfeitamente legítima em uma democracia.

BR-364: QUANTOS DISCURSOS SÃO NECESSÁRIOS PARA DUPLICAR UMA RODOVIA?

Talvez nenhum assunto represente melhor essa discussão do que a BR-364.

Marcos Rogério defende há anos melhorias e a duplicação da principal rodovia de Rondônia.

Ainda no início do mandato como senador, ele já defendia investimentos bilionários na estrada.

Passaram-se os anos.

Em 2025, voltou ao Senado para criticar o modelo de concessão e cobrar melhorias.

Em 2026, a BR-364 continua sendo uma das principais dores de cabeça de Rondônia.

A pergunta não é se Marcos Rogério é responsável sozinho pela duplicação — não é.

A pergunta é:

Depois de tantos anos defendendo essa bandeira em Brasília, qual foi o resultado concreto que o eleitor pode apontar e dizer: “isso aconteceu por causa da atuação dele”?

Porque discurso político não duplica rodovia.

Obra duplica.

FERROVIA: A PROMESSA QUE CONTINUA ESPERANDO PELOS TRILHOS

Marcos Rogério também defendeu uma ligação ferroviária entre Mato Grosso, Vilhena e Porto Velho.

Uma proposta que poderia mudar completamente a logística de Rondônia.

Mas existe um pequeno detalhe:

Onde estão os trilhos?

O projeto continua sendo discutido, defendido e anunciado, mas Rondônia ainda não possui essa ligação ferroviária funcionando.

Mais uma vez, não é correto colocar sobre um senador a responsabilidade exclusiva por uma obra dessa magnitude.

Mas o eleitor pode perguntar:

Quantos anos de mandato ainda serão necessários para que uma das maiores bandeiras de infraestrutura defendidas pelo senador deixe os discursos e avance de forma concreta?

HOSPITAL DE ARIQUEMES: ANÚNCIO NÃO É ENTREGA

Outro caso que merece acompanhamento é o Hospital Regional de Ariquemes.

Marcos Rogério apresentou emenda de R$ 45 milhões destinada à construção da unidade.

Isso é um fato documentado.

Mas aqui aparece uma diferença que o eleitor precisa conhecer:

Destinar uma emenda é diferente de entregar um hospital.

O dinheiro foi efetivamente pago?

A obra começou?

Quanto foi executado?

Qual é o cronograma?

Quando a população poderá utilizar o hospital?

Essas são perguntas que precisam de respostas objetivas.

Porque, no final das contas, ninguém entra em um hospital por causa de uma emenda anunciada. Entra porque o hospital está construído e funcionando.

MAIS DE R$ 1 BILHÃO: A CONTA PRECISA SER ABERTA

O próprio mandato de Marcos Rogério divulga ter destinado mais de R$ 1 bilhão em emendas para os 52 municípios de Rondônia.

É um número gigantesco.

Mas justamente por ser gigantesco, merece uma prestação de contas igualmente grande.

Quanto foi anunciado?

Quanto foi empenhado?

Quanto foi efetivamente pago?

Quanto virou obra?

Quanto virou equipamento?

Quanto ainda está parado?

E talvez a pergunta mais importante:

Quanto desse valor pode ser apresentado hoje como resultado concreto e funcionando para a população?

Anunciar bilhões chama atenção.

Entregar resultados é outra história.

A PALAVRA DO SENADOR ESTÁ EM JOGO

Marcos Rogério construiu parte de sua imagem política justamente em cima do discurso de cobrança.

Ele cobra governos.

Cobra prefeitos.

Cobra obras.

Cobra resultados.

Cobra promessas não cumpridas.

E isso é legítimo.

Mas existe uma regra simples na política:

Quem cobra também precisa aceitar ser cobrado.

Se a palavra de um político vale tanto quanto seus discursos sugerem, então não deveria haver problema em responder objetivamente:

O que foi prometido?

O que foi entregue?

O que não foi entregue?

Por que não foi entregue?

E quando será entregue?

DE 2022 PARA 2026: MUDOU O DISCURSO OU MUDARAM APENAS AS PROMESSAS?

A situação fica ainda mais interessante porque Marcos Rogério volta à disputa pelo Governo de Rondônia.

Algumas pautas continuam aparecendo:

saúde, infraestrutura, BR-364, hospitais regionais, desenvolvimento e logística.

O eleitor, portanto, tem todo o direito de fazer uma comparação.

Se determinadas propostas já eram defendidas anos atrás, por que ainda aparecem como promessa?

Talvez exista uma boa explicação.

Talvez algumas dependam de outros governos.

Talvez algumas tenham avançado parcialmente.

Talvez outras simplesmente não tenham saído do papel.

Mas quem precisa explicar isso é o próprio político.

PROMESSA NÃO É OBRA. DISCURSO NÃO É ENTREGA.

Marcos Rogério pode apresentar novas propostas.

Pode fazer novos discursos.

Pode prometer novas obras.

E deve ter espaço para explicar cada uma delas.

Mas existe uma pergunta que não pode ser ignorada:

POR QUE O ELEITOR DEVE ACREDITAR AGORA NAQUILO QUE CONTINUA SENDO PROMETIDO DEPOIS DE ANOS DE ATUAÇÃO POLÍTICA?

Essa não é uma acusação.

É uma cobrança.

E talvez seja uma das perguntas mais importantes que Rondônia precisa fazer antes de escolher seu próximo governador.

Porque, no fim, a palavra de um político não deveria ser medida pelo tamanho do discurso, mas pelo tamanho daquilo que ele consegue transformar em realidade.

Marcos Rogério tem a palavra.

Por RO Acontece
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Fonte: RO ACONTECE

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