Escuta passou por Nazaré, São Carlos e Calama e identificou demandas relacionadas a trabalho, renda, educação, saúde, infraestrutura, mobilidade e mudanças climáticas
O projeto Trabalho Digno, desenvolvido pelo Instituto Rondoniense de Turismo (IRTur), iniciou uma etapa de escuta nas comunidades de Nazaré, São Carlos e Calama, no Baixo Madeira. A ação busca identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos moradores e trabalhadores e transformar as demandas apresentadas em cada território em encaminhamentos. As atividades incluíram visitas, conversas com moradores e lideranças e encontros comunitários.
Em Nazaré, a escuta apontou demandas relacionadas à agricultura, pesca e formação profissional, além da necessidade de fortalecer a articulação com instituições públicas. Entre os encaminhamentos estão o diálogo com o Instituto Federal de Rondônia (IFRO) para avaliar a possibilidade de um curso técnico na comunidade e demandas junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) sobre crédito, financiamento da produção e demarcação de terras. A comunidade também demonstrou interesse em cursos de agrofloresta e transição agroecológica e na construção de um protocolo de consulta prévia com comunidades próximas.
Em São Carlos, a equipe identificou a agricultura como uma das principais atividades e ouviu relatos sobre os efeitos do calor intenso na rotina dos trabalhadores. Os moradores também apontaram alterações nos períodos de produção de frutas, variações na quantidade de peixes e dificuldades para diversificar as fontes de renda. Artesanato, feira e a associação de mulheres, que atua no setor alimentício, também fazem parte da dinâmica da comunidade.
Em Calama, as principais demandas apresentadas envolvem segurança pública, saúde, assistência social, educação e infraestrutura. Os moradores apontaram a necessidade de maior presença da Polícia Civil, atendimento em saúde mental e melhorias nas condições de acesso e deslocamento. Entre as demandas identificadas nos territórios está também a melhoria da acessibilidade e da mobilidade ribeirinha. A questão envolve o deslocamento dos moradores, o acesso às embarcações e o transporte de mercadorias, além do escoamento da produção agrícola. Para as comunidades, a mobilidade está diretamente relacionada ao trabalho, à geração de renda e à dignidade das populações ribeirinhas. Calama também apresentou ao IRTur a demanda pela elaboração de um plano de turismo comunitário.
Para Michele Tolentino, presidente do IRTur, ouvir as comunidades é fundamental para compreender as necessidades de cada território e construir os encaminhamentos junto aos moradores. “A gente precisa ouvir quem vive ali para entender as necessidades e construir os encaminhamentos junto com a comunidade.”
A escuta realizada nos três distritos integra a proposta do Trabalho Digno de realizar um diagnóstico participativo sobre as condições de trabalho, renda, proteção social e os impactos das mudanças climáticas. Nazaré, São Carlos e Calama também integram o Comitê em Defesa do Rio Madeira, e o projeto busca fortalecer a articulação já existente entre as comunidades e ampliar a incidência junto às instituições públicas. O projeto também prevê formações em temas como Educação de Jovens e Adultos (EJA), liderança comunitária, direitos, agrofloresta, turismo de base comunitária e educação popular, com a meta de formar pelo menos 100 pessoas.
Após essa primeira etapa, o IRTur pretende retornar às comunidades para acompanhar os encaminhamentos e dar continuidade às ações. A proposta é fortalecer a participação dos moradores, apoiar a articulação entre os territórios e ampliar o diálogo com órgãos públicos, universidades, movimentos sociais e organizações locais.
Fonte: Tribuna Popular