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Projeto Leão de Judá usa jiu-jitsu para combater bullying e transformar vidas em Porto Velho

O combate ao bullying, à violência escolar e à vulnerabilidade social ganhou destaque durante entrevista concedida por Wendell Ferreira de Freitas ao podcast Ponto & Contraponto, da News TV. Policial civil há mais de duas décadas, faixa-preta de jiu-jitsu e acadêmico de Psicologia, Wendell apresentou o trabalho desenvolvido pelo projeto social Leão de Judá, iniciativa que utiliza o esporte como instrumento de transformação social para crianças e adolescentes em Rondônia.
Segundo ele, o projeto nasceu há cerca de 20 anos a partir de uma iniciativa simples, quando alguns tatames foram instalados na residência de sua mãe para treinamentos entre amigos. Com o passar do tempo, crianças da comunidade passaram a participar das atividades, dando origem ao que hoje se tornou uma das maiores iniciativas sociais ligadas ao jiu-jitsu no estado.
Projeto atende mais de 450 atletas
Atualmente, o Leão de Judá conta com mais de 450 atletas cadastrados e atua em 12 núcleos espalhados por Rondônia, sendo dez em Porto Velho e outros em municípios do interior. O trabalho é realizado por professores voluntários, que dedicam parte do tempo para ministrar aulas sem remuneração.
De acordo com Wendell, o crescimento do projeto tem sido impulsionado pelo compromisso dos instrutores e pelo apoio de parceiros da iniciativa privada e da sociedade civil.
“O objetivo sempre foi oferecer oportunidades para crianças e adolescentes que muitas vezes não teriam acesso a atividades esportivas estruturadas”, destacou.
Esporte como ferramenta contra o bullying
Durante a entrevista, Wendell explicou que o jiu-jitsu vai além das técnicas de defesa pessoal. Segundo ele, a modalidade ensina valores fundamentais como disciplina, respeito, hierarquia, lealdade e autocontrole.
Para o professor, esses princípios ajudam a reduzir comportamentos agressivos e contribuem para o desenvolvimento emocional dos jovens.
“O esporte ensina a criança a se portar dentro da sociedade, respeitando regras e aprendendo a resolver conflitos sem violência”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que o projeto orienta os alunos a evitarem confrontos e utilizarem os conhecimentos adquiridos apenas em situações extremas de defesa.
Psicologia, educação e prevenção
Acadêmico do oitavo período de Psicologia, Wendell também abordou a relação entre comportamento humano e ambiente social.
Segundo ele, muitas situações de violência escolar estão ligadas ao contexto em que a criança está inserida, tornando essencial o trabalho preventivo desenvolvido por escolas, famílias e projetos sociais.
Na avaliação do entrevistado, o esporte atua como um complemento importante às estratégias educacionais e psicológicas, oferecendo um ambiente saudável para o desenvolvimento dos jovens.
“A mudança do ambiente pode transformar comportamentos e criar novas perspectivas para essas crianças”, observou.
Trabalho especial na Vila Princesa
Entre os núcleos do projeto, um dos que mais recebe atenção da equipe está localizado na Vila Princesa, região conhecida historicamente pela atividade de coleta de resíduos.
O local atende filhos de catadores e famílias em situação de vulnerabilidade social.
Wendell destacou que muitos alunos enfrentam dificuldades financeiras que impedem até mesmo a participação em competições esportivas, tornando essencial a colaboração de apoiadores para custear inscrições e deslocamentos.
Segundo ele, cada campeonato representa uma oportunidade de crescimento pessoal, fortalecimento da autoestima e conquista de novos objetivos.
Desafios para ampliar o projeto
Apesar dos resultados positivos, o Leão de Judá ainda enfrenta desafios relacionados à estrutura e ao financiamento das atividades.
Entre as principais necessidades apontadas estão a aquisição de tatames, kimonos, apoio para transporte dos atletas e recursos para participação em campeonatos estaduais e nacionais.
O projeto também busca ampliar o número de professores voluntários para atender novas localidades interessadas em receber as aulas de jiu-jitsu.
Combate às drogas e fortalecimento de valores
Outro tema abordado durante a entrevista foi a prevenção ao uso de drogas entre adolescentes.
Wendell explicou que a filosofia do projeto prioriza o acolhimento e a orientação dos jovens, evitando o afastamento daqueles que enfrentam dificuldades pessoais.
De acordo com ele, a construção de vínculos, a prática esportiva e o fortalecimento dos valores familiares são ferramentas fundamentais para manter crianças e adolescentes longe da criminalidade e do consumo de substâncias ilícitas.
“O nosso lema é não deixar nenhum leão para trás”, resumiu.
Projeto pretende expandir atuação nas escolas
Durante a conversa, também foi discutida a possibilidade de ampliar as ações do Leão de Judá para dentro das escolas, promovendo palestras e atividades educativas voltadas ao combate ao bullying e à violência escolar.
A proposta prevê a união entre esporte, educação e conscientização para fortalecer a cultura de paz entre estudantes e professores.
Para Wendell, iniciativas preventivas são fundamentais para evitar que conflitos evoluam para situações mais graves.
Transformação social através do esporte
Ao encerrar a entrevista, o policial civil reforçou que acredita no poder transformador do jiu-jitsu e do esporte como um todo.
Segundo ele, a prática esportiva oferece oportunidades, cria perspectivas de futuro e contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e preparados para os desafios da vida.
Com milhares de jovens impactados ao longo de sua trajetória, o Projeto Leão de Judá segue consolidando sua atuação como uma importante ferramenta de inclusão social em Rondônia.

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Fonte: News Rondônia

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