A prática de prender um pregador de roupa na sobrancelha para tentar aliviar crises de enxaqueca viralizou nas redes sociais nos últimos dias. O método, que chama atenção pela simplicidade e pelo aspecto incomum, tem sido testado por usuários que relatam desde leve alívio até aumento da dor.
A técnica, no entanto, não é considerada tratamento médico e não atua na causa da enxaqueca, que é uma condição neurológica complexa.
Entenda por que a pressão pode aliviar (ou piorar) a dor
A explicação mais aceita para casos em que há melhora momentânea está relacionada à chamada “teoria do portão da dor”, conceito da neurociência que descreve como o cérebro interpreta os estímulos dolorosos.
Segundo especialistas, o sistema nervoso não transmite a dor de forma automática e isolada. Ele recebe diferentes sinais ao mesmo tempo — como dor, toque e pressão — e precisa “decidir” quais informações priorizar.
Quando há pressão na pele, como ao usar um pregador na sobrancelha, fibras nervosas ligadas ao tato são ativadas. Isso pode interferir na transmissão do sinal de dor, fazendo com que o cérebro perceba menos a dor por alguns instantes.
O efeito, porém, é apenas temporário.
Por que o efeito varia de pessoa para pessoa
A enxaqueca não é uma dor localizada simples, mas uma condição que envolve o sistema nervoso central. Isso significa que a sensibilidade à dor pode variar muito entre os pacientes.
Em algumas pessoas, a pressão pode causar leve alívio. Em outras, especialmente durante crises intensas, o mesmo estímulo pode piorar a dor, devido à hipersensibilidade dos nervos.
Além disso, a região da sobrancelha está ligada a diferentes ramificações nervosas do rosto e da cabeça, o que explica a variação de sensações.
Outro possível mecanismo: relaxamento muscular
Parte do alívio relatado por alguns usuários pode estar ligada à tensão muscular. A pressão do pregador pode gerar uma espécie de liberação miofascial, relaxando músculos da região da testa.
Esse efeito é conhecido em algumas terapias físicas, mas também é limitado e passageiro, não atuando na origem da enxaqueca.
Técnica viral não substitui tratamento
Apesar da popularidade, especialistas reforçam que o método não trata a enxaqueca. A doença envolve processos neurológicos e inflamatórios que exigem diagnóstico e acompanhamento médico.
O uso de soluções improvisadas pode até aliviar momentaneamente a dor, mas também pode atrasar o tratamento adequado e favorecer o uso excessivo de analgésicos.
O que realmente ajuda durante a crise
Entre as medidas com melhor evidência para aliviar crises estão:
repouso em ambiente escuro e silencioso
compressas frias na cabeça
hidratação adequada
redução de estímulos como luz e barulho
Em casos recorrentes, o ideal é buscar avaliação médica para definir tratamentos específicos e preventivos.
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Fonte: News Rondônia