A POLÊMICA DO DETERGENTE
O povo foi lavar a louça,
Mas parou no meio da pia,
Quando ouviu pela notícia
Uma grande correria:
— O detergente foi suspenso!
Que confusão nesse dia!
A dona Maria gritou:
— Meu Deus, e agora, José?
Com panela engordurada,
Copo, prato e talher,
Até o produto de costume
Que lavava até colher.
O detergente ficou triste,
Lá no canto da cozinha:
— Eu que tirava gordura,
Hoje estou na prateleirinha;
Antes eu brilhava o prato,
Agora virei manchetezinha.
Alguém chegou dizendo:
— Vamos olhar esse lote!
Se tiver final com número um,
Não use, guarde o pote;
Que produto sem cuidado
Pode dar muito rebote.
A esponja, assustada,
Perguntou sem entender:
— E agora, minha senhora,
Com que vou sobreviver?
A frigideira respondeu:
— Hoje ninguém vai me vencer!
No grupo do zap da rua,
Foi mensagem sem parar:
— Pode usar? Não pode usar?
— Melhor nem arriscar!
E teve gente dando aula
Sem sequer pesquisar.
O marido, muito esperto,
Viu ali sua salvação:
— Se não tem detergente,
Não tem louça não, patrão!
Mas a esposa respondeu:
— Tem sabão e tem limão!
O detergente, tão famoso,
Virou tema nacional,
Foi parar na boca do povo,
No mercado e no quintal,
Pois até produto de limpeza
Também sofre tribunal.
No fim, ficou a lição
Pra quem compra e vende:
Limpeza precisa de zelo,
E o cuidado sempre entende
Que confiança se constrói
Quando a qualidade atende.
E enquanto vem o laudo,
O povo segue no embalo:
Guarda o lote, lê a notícia,
Sem entender o que falo;
Porque até no tanque da vida
Todo produto tem seu intervalo.
Moiseis Oliveira da Paixão
Fonte: Tribuna Popular