Pular para o conteúdo
Política

PF aponta divergência em valores enviados ao exterior para filme sobre Bolsonaro

4 minutos de leitura

A Polícia Federal (PF) apontou uma “divergência contábil severa” entre os valores enviados ao exterior e os recursos que retornaram ao Brasil para financiar Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os investigadores, mais de US$ 12 milhões saíram do país, enquanto a entrada registrada foi de US$ 2,8 milhões.

Na sexta-feira (16), a PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação por 90 dias do inquérito que apura o financiamento da produção. O pedido foi acompanhado de documentos que, segundo a corporação, justificam a necessidade de aprofundar a análise financeira.

PF quer perícia sobre movimentações financeiras

De acordo com a investigação, os recursos saíram da Entre Investimentos, empresa ligada ao ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, e foram transferidos ao fundo norte-americano Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A PF considera necessário confrontar os registros das transferências internacionais com a contabilidade da produtora brasileira e as despesas declaradas para a realização do longa-metragem.

“ Torna-se, portanto, indispensável submeter todo o acervo documental e bancário a um rigoroso exame pericial forense para confrontar os aportes internacionais, a contabilidade da produtora brasileira e o lastro das despesas declaradas”, afirma o documento citado na reportagem.

Uma das linhas investigativas busca esclarecer se os valores transferidos pela Entre Investimentos ao Havengate foram efetivamente usados para financiar o filme ou se a produção teria servido como justificativa para ocultar, simular ou desviar recursos. Essa hipótese ainda está sob investigação e não representa uma conclusão sobre a ocorrência de crimes.

Produtora declarou custo de R$ 75,1 milhões Em junho de 2026, a Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse, declarou que o filme custou pelo menos R$ 75,1 milhões, conforme documento anexado a um inquérito da Polícia Civil que investiga a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da empresa.

Segundo os dados apresentados, R$ 54 milhões teriam sido gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil.

Em nota, a defesa da produtora afirmou que a perícia demonstrará a legalidade dos recursos utilizados no projeto. “A perícia irá revelar a lisura e legalidade de todas as captações do financiamento desta obra extraordinária em apoio a esta iniciativa histórica de minha cliente GO UP”, declarou.

Três frentes de investigação
Os investigadores analisam três linhas principais relacionadas ao financiamento de Dark Horse:

Os repasses feitos por Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro;
A possibilidade de parte dos recursos ter sido usada para custear Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos;
A destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme.

Eduardo Bolsonaro negou ter recebido recursos de um fundo ligado a Vorcaro. Ele afirmou que sua situação migratória nos Estados Unidos não permitiria esse tipo de repasse e declarou ter informado às autoridades norte-americanas a origem de seus recursos.

Um contrato divulgado anteriormente apontou Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo do longa. Ele afirmou ter investido US$ 50 mil no projeto e recebido o valor de volta posteriormente, mas negou que o reembolso tenha passado pelo fundo que recebeu recursos ligados a Vorcaro.

STF também apura destinação de emendas parlamentares

Outra investigação sob responsabilidade do ministro Flávio Dino examina a destinação de recursos públicos a organizações relacionadas a Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora.

A apuração começou após a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) pedir ao STF que investigasse o caso. O foco são R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Mario Frias para entidades ligadas à empresária.

Entre as organizações estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), ambos presididos por Karina Ferreira da Gama. Segundo a reportagem original, a Go Up Entertainment não foi alvo dos mandados de busca.

Mario Frias, que também atua como roteirista e produtor-executivo de Dark Horse, afirmou ao STF, em maio, que as emendas destinadas às organizações não foram usadas para financiar a produção do filme.

O pedido de prorrogação por 90 dias busca permitir o aprofundamento das investigações sobre a origem, a movimentação e a destinação dos recursos. Até o momento, as divergências apontadas pela PF são objeto de apuração.

Com informações de g1 — Brasília.

Veja mais notícias