A Petrobras anunciou na quarta-feira (8) que devolverá aos distribuidores os valores pagos acima da tabela oficial no leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado em 31 de março. Na ocasião, o produto foi arrematado com ágios de até 100% em relação aos preços praticados pela estatal. A companhia informou que cobrirá a diferença entre o Preço de Paridade de Importação (PPI) e os lances vencedores, visando neutralizar o impacto financeiro sobre o mercado e os consumidores finais.
A decisão ocorre em um momento de crise interna na petroleira e pressão direta do Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a defender a anulação do certame, afirmando que o processo ocorreu contra a vontade da diretoria da empresa. Como consequência direta do episódio, a Petrobras destituiu Claudio Romeo Schlosser do cargo de diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, área responsável pela organização da venda.
A petrolífera justificou a medida com base na excepcionalidade do mercado global, afetado pela alta do petróleo devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Além disso, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) realizaram fiscalizações nas refinarias para apurar suspeitas de práticas abusivas. A Petrobras também avalia a adesão ao programa de subvenção governamental ao GLP importado, o que pode gerar novas devoluções aos clientes.
Embora o GLP seja popularmente conhecido como gás de cozinha, o insumo é fundamental para diversos setores industriais que viram seus custos de produção ameaçados pelo resultado do leilão. O governo federal tem adotado um conjunto de medidas, como a zeragem de impostos e a concessão de subsídios para o diesel e o gás, na tentativa de conter a inflação de energia e derivados provocada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
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Fonte: News Rondônia