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Pesquisa revela que 9 em cada 10 moradores de favelas reprovam operações policiais

Uma pesquisa inédita realizada em quatro grandes complexos de favelas do Rio de Janeiro revelou que 92% dos moradores reprovam o atual modelo de operações policiais com confronto armado. O levantamento, intitulado “Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?”, foi divulgado nesta quarta-feira (20) e ouviu 4.080 moradores do Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha.
A pesquisa foi coordenada por organizações da sociedade civil e traz dados contundentes sobre a percepção da população local. Segundo os resultados, 73% dos entrevistados discordam frontalmente do atual tipo de intervenção policial. Apenas 25% declararam concordar com as operações, mas, mesmo dentro deste grupo, existe uma forte ressalva: 74% dos que apoiam as operações também condenam a ocorrência de excessos e ilegalidades por parte das forças de segurança.
Impacto cotidiano e violação de direitos
Os dados evidenciam que a violência direta não é o único problema enfrentado pelos moradores. Entre os impactos mais citados das operações, destacam-se a restrição de circulação (apontada por 51% dos que discordam das operações), a invasão de domicílios e comércios, e a exposição recorrente a tiroteios e balas perdidas.
A educação é um dos setores mais afetados. Nas áreas pesquisadas, é comum que escolas municipais fiquem sem aulas por longos períodos devido à insegurança. Para Eliana Sousa Silva, diretora da Redes da Maré e coordenadora do estudo, o morador da favela precisa ser reconhecido como um sujeito de direitos. “Não se pode pensar que o morador aprova esse tipo de operação simplesmente, sem entender e contextualizar”, afirmou.
Percepção racial e medo da polícia
O estudo também traz um recorte racial e de faixa etária relevante:
Recorte racial: A discordância em relação às operações policiais atinge 81% entre pessoas pretas. Entre pessoas brancas, a concordância com o modelo atual é de 30%.
Racismo: 61% dos entrevistados afirmaram acreditar que existe racismo no planejamento e na execução das operações policiais nas favelas.
Faixa etária: Jovens entre 18 e 29 anos são os que mais discordam das intervenções, com 79% de rejeição.
Medo: 78% dos entrevistados declararam sentir pouco ou bastante medo da polícia durante as operações.
Um dos pontos de maior atenção na pesquisa é a inversão da percepção de segurança: mesmo entre os moradores que concordam com as operações, o medo das forças policiais (59%) supera o medo dos grupos armados que atuam na região (53%).
O levantamento, que contou com o apoio de instituições acadêmicas como UFRJ, UERJ e UFF, reforça o debate sobre a necessidade de estratégias alternativas de segurança pública que não dependam exclusivamente do enfrentamento bélico. O estudo sugere que o investimento em políticas públicas e a preservação da vida devem ser prioridades sobre o aumento do aparato de guerra nas favelas cariocas.
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Fonte: News Rondônia

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