O terceiro dia de julgamento da morte do menino Henry Borel, ocorrida em 2021, foi marcado pelo depoimento do médico psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro. Arrolado pela acusação, o especialista apresentou um perfil psicológico dos réus, Dr. Jairinho e Monique Medeiros. Segundo o psiquiatra, Jairinho apresenta traços de perversidade, com um histórico de comportamentos abusivos voltados a crianças pequenas, identificados através da análise de depoimentos de ex-companheiras e relatos sobre o tratamento dispensado aos filhos delas.
O psiquiatra destacou o que chamou de “padrão de repetição” no comportamento do réu, que incluiria episódios de tortura e agressão física em crianças. Sobre a mãe de Henry, Monique Medeiros, o especialista afirmou que ela não demonstrou instinto de preservação do filho ao tomar conhecimento das agressões. A defesa de Jairinho repudiou o depoimento, classificando a oitiva como absurda e apontando que o médico, por não ter entrevistado os réus, violaria diretrizes éticas ao emitir impressões pessoais como prova técnica.
Continuidade do julgamento
Além da análise psicológica, a quarta-feira (27) prevê o depoimento de profissionais de saúde que realizaram o atendimento de Henry no Hospital Barra D’Or e especialistas do Instituto Médico Legal. Testemunhas ouvidas anteriormente, como o delegado Henrique Damasceno, reforçaram a tese da polícia de que a versão apresentada pelos réus de que a morte teria sido causada por uma queda da cama tratava-se de uma “farsa ensaiada” para ocultar as agressões.
Dr. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura e fraude processual, enquanto Monique Medeiros é ré por crimes que incluem homicídio, tortura e omissão. O julgamento, que conta com 27 testemunhas arroladas e será decidido por sete jurados, deve se estender pelos próximos dias, consolidando o encerramento de um dos casos mais emblemáticos de violência infantil no país. A expectativa é que o tribunal analise agora as provas técnicas que sustentam as denúncias do Ministério Público contra a dupla.
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Fonte: News Rondônia