Um estudo global apresentado nesta quarta-feira (25) durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias (COP15), em Campo Grande (MS), revelou um cenário alarmante para a fauna aquática. O relatório “Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce” identificou 325 espécies que dependem urgentemente de esforços internacionais de conservação. Desse total, 55 espécies estão na América Latina, com a Bacia Amazônica figurando como uma das regiões mais críticas devido aos impactos das mudanças climáticas e secas extremas.
Dados do levantamento apontam para uma “crise silenciosa” sob as águas, com uma redução média de 81% nas populações desses peixes em pouco mais de 50 anos. Entre as principais ameaças listadas estão a construção de barragens que fragmentam os rios, a poluição por plásticos e a pesca predatória. Para especialistas, a desconexão dos cursos d’água impede que as espécies migrem para alimentação e reprodução, afetando diretamente a base econômica e a segurança alimentar das populações ribeirinhas.
Cooperação internacional e o Plano dos Bagres
A secretária Nacional de Biodiversidade, Rita Mesquita, destacou que o Brasil tem liderado propostas para reverter esse declínio, como o Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios da Amazônia. O projeto, elaborado em conjunto com países vizinhos como Bolívia e Colômbia, é essencial para proteger peixes que percorrem até 11 mil quilômetros em suas rotas migratórias. “Não importa o que façamos dentro do Brasil se não houver um esforço espelhado nos outros países”, afirmou a secretária durante o evento.
Além do foco na Amazônia, a delegação brasileira defende a inclusão do surubim-pintado na lista de proteção da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS). O governo federal também prepara uma atualização da lista nacional de espécies ameaçadas, que deve elevar o status de vulnerabilidade de diversos peixes da Bacia do Prata e de outros rios nacionais. O objetivo é que o novo status impulsione políticas públicas de fiscalização e recuperação de habitats degradados em todo o território nacional.
Veja mais notícias
Fonte: News Rondônia