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Mundo

Oxford inicia teste em humanos de vacina contra nova variante do ebola

3 minutos de leitura

A Universidade de Oxford deu início ao primeiro ensaio clínico em seres humanos de uma vacina desenvolvida contra o ebolavírus de Bundibugyo, uma das variantes capazes de causar a doença conhecida como ebola.

O projeto foi iniciado apenas oito semanas após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar emergência de saúde pública em razão do avanço do surto registrado na República Democrática do Congo e em Uganda.

A vacina é a primeira de quatro candidatas atualmente em desenvolvimento a chegar à fase de testes clínicos.

Como será o estudo

O ensaio, denominado BD-Ebov, contará inicialmente com 50 voluntários saudáveis, com idade entre 18 e 55 anos, na cidade de Oxford, no Reino Unido.

Os participantes serão acompanhados durante um período de um ano.

Apesar disso, os pesquisadores acreditam que será possível identificar rapidamente se o imunizante produz uma resposta imunológica adequada e se apresenta efeitos adversos relevantes.

Tecnologia já utilizada na pandemia de covid-19

Os cientistas conseguiram desenvolver a vacina em poucas semanas graças à utilização da mesma plataforma tecnológica empregada na vacina Oxford/AstraZeneca contra a covid-19.

O imunizante utiliza um adenovírus de chimpanzé geneticamente modificado para transportar uma proteína do vírus ebola, permitindo que o organismo desenvolva resposta imunológica sem provocar a doença.

Antes do início dos testes em humanos, a vacina já havia sido avaliada em estudos com camundongos e primatas.

A fabricação está sendo realizada pelo Serum Institute of India, que já produziu aproximadamente 620 mil doses.

Surto já causou centenas de mortes Segundo os dados divulgados pelos pesquisadores, o atual surto do ebolavírus de Bundibugyo já contabiliza: 625 mortes; 1.792 casos confirmados laboratorialmente.

A epidemia concentra-se principalmente na República Democrática do Congo, em uma região marcada por conflitos armados e intenso deslocamento populacional, fatores que dificultam o controle da transmissão.

Pesquisadores querem ampliar testes na África

A coordenadora do estudo, Katrina Pollock, afirmou que a estratégia da Universidade de Oxford é manter plataformas de desenvolvimento de vacinas preparadas para responder rapidamente a novas emergências sanitárias.

Além do Reino Unido, pesquisadores trabalham em parceria com instituições de Uganda para iniciar ensaios clínicos também no continente africano.

Segundo os cientistas, isso poderá acelerar a avaliação da eficácia da vacina justamente nas regiões mais afetadas pelo surto.

O que é o ebolavírus de Bundibugyo?

O ebolavírus de Bundibugyo é uma das espécies do vírus Ebola.

Embora seja menos frequente que outras variantes, ele já foi responsável por surtos anteriores e pode provocar febre hemorrágica grave, com elevada taxa de mortalidade.

Até o momento, ainda não existe uma vacina licenciada especificamente para essa variante.

Perguntas frequentes O que está sendo testado?

Uma vacina experimental contra o ebolavírus de Bundibugyo.

Quantas pessoas participarão do estudo?

Nesta primeira fase, 50 adultos saudáveis participarão dos testes.

Onde ocorre o ensaio clínico?

Na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Qual tecnologia foi utilizada?

A mesma plataforma de vetor viral empregada na vacina Oxford/AstraZeneca contra a covid-19.

Qual é o objetivo da pesquisa?

Avaliar a segurança da vacina e verificar sua capacidade de estimular resposta imunológica contra o vírus.

Com informações de Joana Raposo Santos – Repórter da RTP Veja mais notícias