A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta quarta-feira (25), uma resolução que classifica o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade da história. A proposta, apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, recebeu o apoio de 123 países, consolidando um marco na busca por justiça reparatória. O documento orienta que os Estados-Membros considerem pedidos formais de desculpas e a restituição de bens culturais, como obras de arte e documentos históricos, levados durante o período colonial.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que o reconhecimento é um passo essencial para enfrentar legados como o racismo estrutural e a desigualdade. Durante quatro séculos, milhões de pessoas foram sequestradas e comercializadas em colônias europeias. O Brasil, que foi o principal destino desse tráfico e o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888, votou a favor da medida, reafirmando seu compromisso com a reparação das populações de ascendência africana.
Oposição e abstenções no plenário
Apesar da aprovação majoritária, a resolução enfrentou resistência de potências ocidentais. Estados Unidos, Israel e Argentina votaram contra o texto. O representante norte-americano, Dan Negrea, classificou a proposta como “problemática”, alegando que o país não reconhece direito legal a reparações por atos que não eram considerados ilegais pelo direito internacional na época em que ocorreram. Além dos votos contrários, houve 52 abstenções, concentradas principalmente em nações europeias que exploraram colônias na África, como Portugal, França e Reino Unido.
A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, defendeu que o enfrentamento dessas injustiças é um “imperativo moral” para moldar um futuro mais justo. A resolução aprovada também solicita que o processo de reparação seja acompanhado pela criação de um fundo específico para apoiar comunidades afetadas. Para os países do Brics e a maioria das nações africanas e asiáticas que votaram a favor, a decisão da ONU representa uma vitória diplomática na luta pelo reconhecimento da dignidade humana e dos direitos históricos.
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Fonte: News Rondônia