A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente uma emergência em saúde pública de importância internacional devido a um surto de ebola causado pelo vírus Bundibugyo. A medida foi tomada após o Ministério da Saúde Pública da República Democrática do Congo (RDC) confirmar o 17º surto da doença no país, originado no município de Mongbwalu, e o governo de Uganda reportar um caso importado que resultou em óbito na capital, Kampala.
A identificação do vírus ocorreu após o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa analisar amostras colhidas no distrito de Rwampara, confirmando o agente patogênico em oito de treze espécimes testados. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, coordenou a resposta junto aos Estados-Membros para conter a expansão geográfica da enfermidade, que possui taxa média de letalidade de aproximadamente 50%, podendo chegar a 90% em episódios críticos.
Protocolos de contenção e vigilância epidemiológica
Para interromper a cadeia de transmissão, as autoridades sanitárias intensificaram o envio de equipes de resposta rápida e o fornecimento de insumos médicos. A estratégia de controle baseia-se em intervenções multidisciplinares, incluindo a criação de centros de tratamento especializados, monitoramento constante de contatos diretos e a realização de funerais seguros para evitar o contato com fluidos corporais de pacientes falecidos.
A OMS ressalta que o engajamento comunitário é um fator determinante para o sucesso das ações. “A prevenção depende de uma série de intervenções, como assistência clínica, vigilância laboratorial e, principalmente, o respeito às orientações de biossegurança”, destaca o comunicado oficial da entidade. O monitoramento de pessoas expostas ao vírus deve ocorrer pelo período de 21 dias, correspondente ao intervalo máximo de incubação da doença.
Características e diagnóstico diferencial
O ebola é uma enfermidade grave causada por um vírus do gênero Orthoebolavirus. A transmissão para humanos ocorre por meio do contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pacientes infectados vivos ou mortos ou pelo manejo de animais silvestres, como morcegos frugívoros e primatas. O vírus entra no organismo através de mucosas ou pele lesionada.
Clinicamente, a doença manifesta sintomas iniciais que incluem febre súbita, fadiga, dores musculares, cefaleia e dor de garganta, evoluindo frequentemente para quadros de vômito, diarreia e hemorragias internas ou externas. Por mimetizar doenças como malária, febre tifoide, dengue e meningite, o diagnóstico diferencial é complexo e exige obrigatoriamente a confirmação por exames laboratoriais especializados.
Tratamento e recomendações à população
Embora existam tratamentos aprovados para a espécie Ebola (como o Ansuvimab e o Inmazeb), ainda não há terapias específicas com eficácia comprovada para a variante Bundibugyo, sendo o suporte intensivo com reidratação precoce a principal via para aumentar a sobrevida. A OMS desaconselha enfaticamente o cuidado domiciliar de pacientes sintomáticos, recomendando a busca imediata por centros de referência.
Como medidas preventivas, a entidade orienta evitar o contato físico com indivíduos suspeitos, a não manipulação de animais mortos e a higienização rigorosa das mãos. Profissionais de saúde, cuidadores e familiares que lidam com o luto são os grupos de maior risco. Até o momento, a OMS não recomenda restrições comerciais ou quarentenas generalizadas, embora a movimentação de contatos diretos deva ser estritamente supervisionada pelas autoridades de saúde pública locais.
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Fonte: News Rondônia