A Região Norte passa a ocupar posição estratégica no edital E-commerce.BR 2026, iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que vai destinar R$ 3,9 milhões para fortalecer pequenos negócios no comércio eletrônico. O objetivo é ampliar a presença digital de micro, pequenas e médias empresas, além de microempreendedores individuais (MEIs), especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Mesmo com o crescimento do setor — que movimentou R$ 225 bilhões em 2024, com alta de 14,6% — a participação regional ainda é desigual. A Região Norte responde por apenas 0,6% das vendas on-line no país, o menor índice entre todas as regiões, evidenciando desafios estruturais como logística, infraestrutura e conectividade.
Para enfrentar esse cenário, o edital estabelece que metade dos projetos selecionados na primeira fase será obrigatoriamente da Região Norte, reforçando o compromisso de reduzir desigualdades e ampliar a inclusão digital no país.
Segundo a gerente de Transformação Digital da ABDI, Adryelle Pedrosa, o comércio eletrônico é uma ferramenta essencial para expansão de mercado. “Nosso objetivo é garantir que empresas dessas regiões participem de forma mais ativa desse mercado que só cresce no país”, afirmou.
Uma das principais novidades desta edição é a inclusão dos microempreendedores individuais (MEIs), que passam a integrar o público beneficiado. Atualmente, o Brasil possui mais de 12 milhões de MEIs ativos, responsáveis por mais da metade das empresas do país. A medida busca ampliar o acesso desse público ao ambiente digital, fortalecendo a geração de renda e a sustentabilidade dos negócios.
O edital também incentiva a formação de redes de inovação. As propostas devem ser apresentadas por consórcios formados por, no mínimo, três instituições sem fins lucrativos — como universidades, associações e centros de tecnologia — além da participação de startups. As soluções devem enfrentar desafios concretos do e-commerce, como logística, acesso a marketplaces, meios de pagamento, marketing digital e análise de dados.
A seleção ocorrerá em três etapas. Inicialmente, 16 projetos serão escolhidos e receberão apoio técnico. Na fase seguinte, oito iniciativas avançam para testes práticos, com execução de até seis meses e atendimento mínimo de 60 empresas. Por fim, duas propostas serão escaladas, com aporte de R$ 500 mil cada, ampliando o impacto para pelo menos 120 negócios.
Para o MDIC, o programa está alinhado à estratégia de transformação produtiva do país. A iniciativa integra a agenda da Nova Indústria Brasil, voltada à digitalização do setor produtivo e ao uso de tecnologias como inteligência artificial e economia de dados.
Um exemplo concreto desse avanço vem de Rondônia. Em 2025, a região teve destaque com a rede SocialSync, única iniciativa do Norte selecionada no edital anterior. A solução foi desenvolvida pela startup Ecotech Amazônia, em parceria com a Universidade Federal de Rondônia, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e o Senai/RO.
A plataforma integra canais como WhatsApp, Instagram, Facebook e LinkedIn em um único ambiente, permitindo que empreendedores centralizem o atendimento e melhorem a gestão do relacionamento com clientes. Atualmente, mais de 80 negócios utilizam a ferramenta, com acompanhamento de agentes de inovação.
Para Ilton Alves, coordenador de Inovação da UNIR, iniciativas como essa fortalecem o ecossistema regional. “Mostramos, na prática, que as atividades de inovação e tecnologia estão sendo aplicadas no mercado”, destacou.
As inscrições para o edital seguem abertas até o dia 5 de maio, por meio da página oficial do programa.
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Fonte: News Rondônia