Os resultados das eleições presidenciais de 2018, 2022 e 2026 mostram dois movimentos importantes: a manutenção de uma votação expressiva do Partido dos Trabalhadores (PT) no Nordeste e a redução da vantagem dos candidatos do campo bolsonarista no Sudeste.
Enquanto o Nordeste manteve aproximadamente 69% dos votos válidos para os candidatos petistas, o Sudeste registrou uma aproximação entre os adversários. A comparação ajuda a compreender o peso dessas regiões, embora o resultado nacional dependa da soma dos votos de todo o país e do exterior.
Nordeste: votação estável e vantagem crescente
Com nove estados, o Nordeste reúne 43.529.845 eleitores aptos em 2026, o equivalente a 27,42% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em 2018, Fernando Haddad enfrentou Jair Bolsonaro, então candidato pelo PSL. Em 2022, Lula disputou a Presidência contra Bolsonaro, candidato pelo PL. Em 2026, o adversário do petista foi Flávio Bolsonaro, também do PL.
Nos três segundos turnos, a votação proporcional do PT no Nordeste permaneceu próxima de 69%.
Ano
Candidato do PT
Votos
Percentual
Adversário
Votos
Percentual
2018
Fernando Haddad
20.289.812
69,69%
Jair Bolsonaro (PSL)
8.824.454
30,31%
2022
Lula
22.534.967
69,34%
Jair Bolsonaro (PL)
9.962.947
30,66%
2026
Lula
24.450.432
69,37%
Flávio Bolsonaro (PL)
10.796.736
30,63%
Fontes: compilação histórica de 2018, levantamento do UOL sobre 2022 e apuração de 2026 publicada pelo UOL, com dados atribuídos ao TSE.
A vantagem petista passou de 11.465.358 votos em 2018 para 12.572.020 em 2022 e 13.653.696 em 2026. O crescimento acumulado foi de aproximadamente 2,19 milhões de votos.
A estabilidade percentual, portanto, conviveu com o aumento da diferença absoluta entre os candidatos.
Vantagem regional não garante vitória nacional
A força do PT no Nordeste não significa que todos os eleitores da região tenham a mesma posição política. Os resultados agregados reúnem realidades distintas entre estados, municípios e grupos sociais.
Também não é possível concluir, apenas pela contagem dos votos, quais fatores determinaram a escolha dos eleitores. Explicações sobre identificação com candidatos, avaliação de políticas sociais ou condições econômicas precisam ser sustentadas por pesquisas e análises específicas.
Há ainda uma distinção importante: em 2018, a vantagem de Haddad no Nordeste não foi suficiente para compensar o desempenho de Bolsonaro nas demais regiões. Naquele ano, Bolsonaro venceu em quatro das cinco regiões brasileiras.
Sudeste: maior eleitorado e disputa mais próxima
Formado por São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, o Sudeste concentra 66.329.375 eleitores aptos em 2026. São aproximadamente 41,78% do eleitorado nacional — mais de quatro em cada dez eleitores brasileiros —, segundo o TSE.
A comparação dos três segundos turnos mostra uma redução expressiva da vantagem dos candidatos do campo bolsonarista.
Ano
Candidato do PT
Votos
Percentual
Adversário
Votos
Percentual
2018
Fernando Haddad
15.016.238
34,63%
Jair Bolsonaro (PSL)
28.351.800
65,37%
2022
Lula
22.793.826
45,74%
Jair Bolsonaro (PL)
27.043.936
54,26%
2026
Lula
24.037.731
47,24%
Flávio Bolsonaro (PL)
26.844.501
52,76%
Fontes: compilação histórica de 2018, levantamento do UOL sobre 2022 e apuração de 2026 publicada pelo UOL, com dados do TSE.
Em 2018, Bolsonaro abriu 13.335.562 votos de vantagem no Sudeste. Em 2022, a diferença caiu para 4.250.110 votos. Em 2026, Flávio venceu na região por 2.806.770 votos.
Ao longo do período, a vantagem diminuiu cerca de 10,53 milhões de votos. Já a participação petista passou de 34,63% para 47,24%, crescimento de 12,61 pontos percentuais.
O resultado mostra uma disputa regional mais equilibrada, sem significar que o PT tenha conquistado a maioria dos votos no Sudeste.
Minas Gerais: diferença de 109 mil votos Em Minas Gerais, Lula venceu o segundo turno de 2026 por uma margem estreita:
Candidato
Votos
Percentual
Lula (PT)
6.351.099
50,43%
Flávio Bolsonaro (PL)
6.241.786
49,57%
A diferença foi de 109.313 votos, conforme a apuração estadual publicada pelo UOL, com dados da Justiça Eleitoral. O resultado também foi confirmado pela CNN Brasil.
A vantagem mineira contribuiu para reduzir o saldo favorável a Flávio no Sudeste. O resultado de um único estado, entretanto, não determina automaticamente o vencedor nacional.
O peso das duas regiões em 2026
A vantagem de Lula no Nordeste foi de 13.653.696 votos, enquanto Flávio abriu 2.806.770 votos no Sudeste. A primeira diferença foi aproximadamente 4,86 vezes a segunda.
Consideradas apenas essas duas regiões, o saldo foi de 10.846.926 votos a favor de Lula. Esse cálculo dimensiona o peso do Nordeste na disputa, mas não substitui a análise das demais regiões e dos votos registrados no exterior.
O que a comparação revela
Os resultados apontam estabilidade da votação proporcional petista no Nordeste e maior competitividade do partido no Sudeste. Também mostram que o tamanho do eleitorado, isoladamente, não define uma eleição: comparecimento, votos válidos e margem entre os candidatos precisam ser considerados.
A eleição presidencial é decidida pela soma dos votos, não pelo número de estados ou regiões conquistados. Por isso, uma vantagem expressiva em determinada região pode compensar diferenças favoráveis ao adversário em outras — como ocorreu com Lula em 2022, quando o saldo nordestino superou as desvantagens nas demais regiões.
O Nordeste permanece estratégico para o PT, enquanto o Sudeste, pelo tamanho de seu eleitorado e pela redução das diferenças observadas, continua fundamental para qualquer candidatura à Presidência.
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