O navio de luxo MV Hondius, que enfrentava um surto de hantavírus em alto-mar, atracou nesta segunda-feira (18) no porto de Roterdã, na Holanda. As autoridades sanitárias locais iniciaram uma operação controlada para desembarcar os 25 tripulantes restantes e os dois profissionais de saúde que davam suporte à embarcação. O navio, que navega sob a bandeira holandesa, será submetido a um processo rigoroso de desinfecção biológica antes de ser liberado para novas operações.
O foco da doença respiratória grave foi relatado pela primeira vez à Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 2 de maio, quando o cruzeiro transportava cerca de 150 passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades diferentes. Até o momento, o surto resultou na morte de três pessoas. Os corpos de um casal holandês já foram repatriados, enquanto o corpo de uma passageira de nacionalidade alemã será cremado em território holandês, com o envio posterior das cinzas aos familiares.
Transmissão por roedores e balanço de infectados
Balanços epidemiológicos divulgados pela OMS confirmam que, incluindo as três mortes registradas, foram contabilizados oito casos confirmados e dois prováveis de hantavírus a bordo. A infecção viral é transmitida aos seres humanos principalmente por meio do contato com secreções ou excreções de roedores infectados. No entanto, especialistas relembram que a transmissão entre pessoas pode ocorrer em cenários raros e após contato prolongado em ambientes fechados.
O período de incubação do hantavírus na corrente sanguínea pode se estender por até seis semanas, e a medicina atual não dispõe de um tratamento farmacológico específico para combater a infecção, baseando-se no suporte hospitalar dos sintomas. O Instituto Nacional Holandês de Saúde Pública e Meio Ambiente (RIVM) informou que nenhum dos tripulantes que deixaram o navio nesta segunda-feira apresentava sintomas visíveis ou queixas relacionadas à doença.
Isolamento no porto e baixo risco global
Para garantir o isolamento sanitário, o MV Hondius foi direcionado a Landtong, uma península estreita com cerca de dez quilômetros de extensão que integra o complexo portuário de Roterdã, situada distante de grandes centros urbanos. Estruturas com trailers brancos e cercas de isolamento foram montadas na área de desembarque para a triagem médica dos profissionais. As equipes de saúde pública reforçaram que os operários que desceram do navio passarão por monitoramento domiciliar.
A OMS e o RIVM emitiram notas técnicas para tranquilizar a população europeia, destacando que o risco de disseminação ampla da doença na comunidade continua extremamente baixo e descartando qualquer tipo de comparação com a pandemia da Covid-19. O centro de coordenação holandês para controle de doenças transmissíveis reiterou que não há risco de contaminação para os moradores de Roterdã e que todos os indivíduos expostos estão devidamente rastreados.
Restrições em Cabo Verde e apoio logístico
Antes de conseguir autorização para aportar na Holanda, o navio de turismo enfrentou barreiras alfandegárias e restrições de navegação em águas internacionais. A embarcação, operada pela companhia Oceanwide Expeditions, permaneceu retida na costa de Cabo Verde que configurava o destino final planejado da viagem após o governo local proibir o desembarque de passageiros e tripulantes devido ao temor de importação do vírus.
Diante do impasse diplomático e humanitário, a Organização Mundial da Saúde e a União Europeia chegaram a solicitar formalmente que o governo da Espanha coordenasse uma operação de retirada de emergência do grupo nas Ilhas Canárias. Após os primeiros desembarques e a estabilização médica dos infectados graves em solo espanhol, o cruzeiro seguiu viagem rumo ao norte da Europa apenas com o corpo técnico essencial para a condução mecânica do navio.
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Fonte: News Rondônia