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MPT aponta falhas em auditorias de grandes empresas no combate ao trabalho escravo

O Ministério Público do Trabalho (MPT) identificou que os mecanismos de autorregulação e auditoria de grandes corporações têm falhado em impedir o trabalho escravo em suas cadeias de suprimentos. Em um período de dois anos, o órgão notificou mais de 30 empresas líderes em diversos setores por adquirirem bens ou serviços de fornecedores que submetiam trabalhadores a condições degradantes. Segundo o MPT, existe uma lacuna entre o discurso de responsabilidade social voltado a acionistas e a prevenção efetiva do crime na prática.
Os dados preliminares fazem parte do projeto Reação em Cadeia, que investiga os vínculos entre grandes companhias e a escravidão moderna. O procurador Ilan Fonseca de Souza, gerente do projeto, criticou a natureza de muitos programas de conformidade, classificando-os como meramente formais e lacônicos. As empresas já notificadas movimentam, juntas, mais de R$ 48 bilhões, o que reforça o argumento de que a exploração não é um fenômeno restrito a negócios informais ou deficitários.
Setores sensíveis e “cegueira deliberada”

As investigações apontam que o trabalho escravo ocorre em atividades econômicas altamente rentáveis. Entre os setores considerados mais sensíveis, onde foram encontrados mais trabalhadores em condições aviltantes, destacam-se:
Carvoarias e fazendas de soja, café ou cana-de-açúcar.
Canteiros de obras na construção civil.
Indústria têxtil e grandes varejistas de moda.
Redes de supermercados, multinacionais de alimentos, siderúrgicas e distribuidoras de combustíveis.
O MPT também identificou o que chama de “cegueira deliberada”, prática em que empresas fingem não enxergar as irregularidades para evitar responsabilidades jurídicas. Em muitos casos, após o flagrante, a empresa rompe o contrato com o fornecedor autuado, mas acaba contratando outra prestadora que utiliza as mesmas práticas ou que pertence aos mesmos proprietários da anterior.
Impacto social e necessidade de conscientização
Desde 1995, cerca de 65 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão no Brasil. Especialistas e procuradores do MPT acreditam que esse número não reflete a real dimensão do problema, que é visto como uma falha sistêmica na produção nacional. O órgão argumenta que algumas companhias se beneficiam da exploração ao adquirir produtos por valores artificialmente baixos, ignorando os direitos humanos fundamentais.
A vice-procuradora-geral do Trabalho, Teresa Basteiro, defende que a superação desse cenário depende do envolvimento de toda a sociedade, indo além da atuação policial e do Ministério Público. Para o MPT, a conscientização pública sobre as práticas produtivas é essencial para concretizar o princípio da dignidade da pessoa humana e valorizar o trabalho social. Atualmente, além das 30 já notificadas, outras 20 companhias e duas prefeituras estão sob suspeita de negociar sistematicamente com fornecedores que figuram na “Lista Suja” do trabalho escravo.
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Fonte: News Rondônia

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