O número de mortes causadas por câncer colorretal no Brasil deve registrar um aumento de quase três vezes entre 2026 e 2030, em comparação ao início dos anos 2000. Segundo um artigo publicado na revista científica The Lancet Regional Health Americas, a estimativa é que a doença cause 127 mil mortes nesse período de cinco anos. O crescimento projetado é de 181% entre homens e 165% entre as mulheres, consolidando a patologia como o segundo tipo de câncer mais incidente e o terceiro mais letal no país.
Pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e de instituições estrangeiras atribuem essa escalada ao envelhecimento populacional e, principalmente, à adoção de hábitos de vida prejudiciais. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo e a ingestão de álcool são apontados como os principais fatores de risco, que têm afetado pacientes em idades cada vez mais precoces. Além disso, a alta mortalidade é agravada pelo fato de 65% dos casos serem diagnosticados apenas em estágios avançados, dificultando a eficácia dos tratamentos disponíveis.
Impactos Econômicos e Regionais
O estudo também mensurou os custos sociais da doença, revelando que as mortes por câncer colorretal podem representar uma perda de produtividade de 22,6 bilhões de dólares internacionais até 2030. Em média, mulheres que morrem devido à enfermidade perdem 21 anos de vida potencial, enquanto homens perdem 18 anos. Embora as regiões Sul e Sudeste concentrem o maior volume de óbitos devido à densidade populacional, os maiores aumentos relativos na mortalidade devem ocorrer nas regiões Norte e Nordeste, onde a infraestrutura de saúde e os indicadores socioeconômicos são mais frágeis.
Para conter o avanço da doença, especialistas defendem a implementação de programas de rastreamento preventivo e políticas públicas que incentivem estilos de vida saudáveis. A redução das desigualdades regionais no acesso a exames e ao diagnóstico precoce é considerada a estratégia primária para evitar que o país continue perdendo vidas e recursos econômicos para uma doença que possui altos índices de cura quando detectada precocemente.
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Fonte: News Rondônia

