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Moraes pode ser alcançado por investigação de Mendonça sobre relatórios da PF

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr
A investigação aberta pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para descobrir como foram feitos documentos da inteligência da Polícia Federal (PF) pode abrir um novo capítulo na disputa com Alexandre de Moraes.
Por determinação de Mendonça, a Corregedoria da PF terá de fazer toda a cronologia do caso: descobrir quem pediu os relatórios apócrifos, quem participou da produção, quando eles foram feitos e se existem outros documentos parecidos.
A decisão não afirma que Moraes tenha mandado produzir os materiais. A investigação poderá mostrar, porém, se ele teve algum envolvimento antes de os documentos ficarem prontos ou se apenas recebeu o conteúdo posteriormente. Essa hipótese ganha força porque, segundo Mendonça, Moraes já sabia da existência dos relatórios antes de eles serem apresentados formalmente no processo.
Segundo a decisão, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, enviou os documentos por meio de um ofício de 1º de setembro, dois dias antes de sua divulgação nos autos. Mendonça afirma ainda que pelo menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto por setores de inteligência da corporação. A pergunta que fica é: quem mandou fazer?
Para Mendonça, os documentos indicam “monitoramento sistemático” e “coleta dirigida” de informações sobre ele e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Por isso, saber de onde partiram esses relatórios pode ser uma das partes mais importantes da investigação. Se a Corregedoria identificar somente os responsáveis pela produção, o caso pode ficar restrito à estrutura da PF. Mas, se descobrir quem pediu ou orientou o trabalho, a apuração pode chegar a outras pessoas.
É nesse ponto que Moraes pode voltar ao centro da discussão. O fato de, segundo Mendonça, ele já saber da existência dos documentos antes da divulgação chama a atenção. Mas isso, por si só, não significa que o ministro tenha ordenado a produção.
Além de determinar a apuração, Mendonça proibiu a produção, preparação e circulação, inclusive dentro da PF, de outros documentos de inteligência destinados a analisar atos praticados por ministros, integrantes da advocacia pública e autoridades da polícia judiciária.
Agora, caberá à Corregedoria descobrir como esses relatórios surgiram e quem participou de cada etapa. Conforme as respostas aparecerem, a pergunta sobre quem mandou produzir os documentos pode deixar de ser apenas uma questão interna da PF e voltar a envolver diretamente Alexandre de Moraes.


Fonte: Conexão Política

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