O mercado de trabalho brasileiro apresenta um crescimento acelerado de trabalhadores com 60 anos ou mais. Nos últimos dez anos, o número de profissionais nesta faixa etária saltou de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões, uma expansão de 53%. O dado, divulgado pela consultoria Nexus com base em informações do IBGE, indica que o ritmo de inclusão dessa população nas atividades laborais supera a velocidade de envelhecimento demográfico do país, que cresceu 37% no mesmo período.
O fator previdenciário e a necessidade de renda
Especialistas apontam que a reforma da Previdência de 2019 é um dos pilares para esse cenário. Com o aumento da idade mínima e do tempo de contribuição, muitos brasileiros foram forçados a estender sua vida profissional. Atualmente, homens podem se aposentar aos 65 anos e mulheres aos 62. Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, descreve a situação como um copo meio cheio e meio vazio: embora celebre a vitalidade ativa dos idosos, ele alerta que, para muitos, o trabalho após os 70 ou 75 anos não é uma escolha, mas uma necessidade urgente para complementar a renda familiar.
Desafios da informalidade
Apesar do aumento das contratações, a qualidade das vagas permanece um ponto crítico. O estudo aponta que 53% dos trabalhadores com 60 anos ou mais estão na informalidade, índice superior à média da população geral, que é de 38%, e à dos jovens entre 18 e 24 anos, que alcança 41%. A informalidade priva esse grupo de direitos fundamentais, como férias remuneradas, décimo terceiro salário e a contribuição para a Seguridade Social, agravando a vulnerabilidade financeira justamente em uma fase que deveria ser de descanso.
Necessidade de políticas públicas
Para os especialistas da Nexus, a alta taxa de informalidade reflete uma característica estrutural do mercado, onde o trabalhador idoso não pode se permitir longos períodos de inatividade. O cenário impõe um desafio urgente para o Estado e para o setor privado: a criação de políticas públicas que incentivem a formalização e a adaptação das estruturas corporativas. Questões como ergonomia no ambiente de trabalho, revisão de benefícios e estratégias efetivas de inclusão geracional tornam-se indispensáveis para garantir a sustentabilidade econômica e a dignidade dessa parcela crescente da força de trabalho brasileira.
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Fonte: News Rondônia