Neste Dia Nacional de Combate à Cefaleia, médicos e entidades de saúde fazem um alerta urgente sobre o impacto da dor de cabeça na qualidade de vida da população. Considerada a sétima condição mais incapacitante do mundo, o problema afeta cerca de 40% da população global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O foco da conscientização deste ano, através da campanha “3 é Demais”, é orientar quem apresenta três ou mais episódios mensais, durante três meses seguidos, a buscar ajuda profissional.
Embora grande parte das cefaleias tenha origem benigna, como tensão ou estresse, a persistência dos sintomas pode mascarar condições neurológicas graves. O neurocirurgião Orlando Maia ressalta que, embora muitas dores sejam tratadas com analgésicos de livre acesso, o hábito pode ser perigoso. “Essa diferença nem sempre é percebida. Em muitos casos, a dor persistente é ignorada ou incorporada à rotina, o que pode atrasar diagnósticos importantes”, adverte o médico.
Sinais de alerta que exigem investigação
A Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC) pontua que a mudança no padrão habitual da dor, o início súbito e de alta intensidade, ou a presença de sintomas associados como alterações na fala, confusão mental, desequilíbrio e fraqueza são sinais de alerta. Nesses casos, a automedicação é contraindicada, pois o uso indiscriminado de analgésicos e anti-inflamatórios pode, paradoxalmente, aumentar a frequência e a intensidade dos sintomas, levando a um quadro de cefaleia por abuso de medicação.
A enxaqueca crônica é um dos cenários mais preocupantes, afetando mais de 30 milhões de brasileiros. Caracterizada por crises que ocorrem em 15 dias ou mais por mês, a condição frequentemente vem acompanhada de náuseas e hipersensibilidade à luz e ao som. O tratamento eficaz, segundo a SBC, raramente é monoterápico: exige uma abordagem multidisciplinar envolvendo neurologistas, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, dependendo do histórico do paciente.
Estilo de vida e conscientização (Maio Bordô)
O “Maio Bordô” é o mês dedicado à conscientização sobre as cefaleias no Brasil. Fatores como sedentarismo, tabagismo, obesidade, alimentação inadequada e transtornos de humor (ansiedade e depressão) são apontados como motores importantes para o surgimento das crises. A SBC reforça que 90% dos pacientes que sofrem com o problema relatam prejuízos severos em suas atividades acadêmicas, profissionais e sociais.
Para os casos crônicos, o planejamento terapêutico atual vai muito além dos remédios tradicionais, incluindo opções como fitoterápicos, neuroestimuladores, acupuntura e aplicação de toxina botulínica. A recomendação central é a personalização do tratamento, que só pode ser alcançada após uma consulta médica detalhada para descartar patologias estruturais e instituir um plano preventivo adequado ao perfil do paciente.
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Fonte: News Rondônia