O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom na terça-feira, 31 de março, ao criticar os reflexos da guerra no Irã sobre a economia brasileira. Durante evento em São Paulo celebrando os 21 anos do Prouni e os 14 anos da Lei de Cotas, Lula afirmou que o povo brasileiro não pode ser “vítima” de um conflito externo e direcionou críticas diretas ao governo de Donald Trump. O presidente garantiu que o governo adotará todas as providências para frear a escalada do preço do óleo diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e que impacta diretamente o preço dos alimentos.
A principal estratégia do governo para conter a crise é a publicação, prevista para esta semana, de uma Medida Provisória (MP) que cria um subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado. O plano, detalhado pelo ministro Dario Durigan, prevê um investimento de R$ 3 bilhões em dois meses, com o custo dividido entre a União e os estados (R$ 0,60 cada). A medida busca equilibrar a defasagem entre o preço interno e o mercado internacional, que disparou desde o início dos ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, no fim de fevereiro.
Lula também aproveitou o discurso para cobrar responsabilidade dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Reino Unido, França, China e Rússia). Segundo o presidente, os líderes dessas potências “precisam criar juízo”, pois o papel do conselho deveria ser a manutenção da paz, e não o fomento a guerras que desestabilizam a economia global. Ele ressaltou que a alta dos combustíveis é um “imposto invisível” que chega à mesa do trabalhador na forma de aumentos no arroz, feijão e alface.
O conflito no Oriente Médio completou um mês esta semana sem perspectivas de trégua, mantendo o mercado de energia sob forte tensão. Com o Irã sendo um dos maiores produtores mundiais, a ameaça de uma invasão terrestre por tropas norte-americanas mantém o preço do barril em patamares recordes. No Brasil, que importa cerca de 30% do diesel consumido, a fiscalização da Polícia Federal e do Ministério Público será intensificada para garantir que eventuais reduções na Petrobras cheguem efetivamente às bombas, combatendo a retenção de margens por atravessadores.
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Fonte: News Rondônia