Caminhão boiadeiro que transportava mais de 40 lhamas é apreendido no AC
As lhamas apreendidas no Posto de Fiscalização da Tucandeira, na BR-364, em Rio Branco, na noite da última quarta-feira (20), são do empresário Wellington Vieira de Araújo, o mesmo que teve uma carga com alpacas e lhamas apreendidas em setembro do ano passado em Assis Brasil, interior do Acre. Esses animais foram trazidos do Peru.
Na época, os bichos ficaram apreendidos também por falta da documentação necessária. O empresário denunciou o caso ao Ministério Público Federal do Acre (MPF-AC) e afirmou que, ao chegar na alfândega de Assis Brasil, a carga foi recusada porque não havia auditor fiscal e não teria como liberar a passagem. Os animais foram liberados depois de 16 dias e após o empresário conseguir uma liminar na Justiça.
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O empresário tem um rancho em Alvorada do Oeste, em Rondônia, onde cria alpacas, lhamas, caprinos e ovinos. Ele alega que os animais têm documentação e tenta recuperá-los.
À Rede Amazônica Acre, nesta segunda-feira (25), Wellington Araújo afirmou que parte dos animais apreendidos são filhotes das lhamas que ficaram presas em Assis Brasil ano passado, ou seja, nasceram no rancho. Já a outra parte estava na carga que entrou legalizada no Brasil em setembro.
“Tem uma lei que fala que esses animais são isentos de controle. Nasceram aqui em Alvorada do Oeste, são meus, já encaminhei a documentação para o juiz. Está tudo correto e guardamos seguir os trâmites da Justiça para a gente fazer a restituição”, afirmou.
Lhamas continuam sob cuidados da ONG Patinha Carente em fazenda na Estrada de Porto Acre, no interior do estado
Arquivo pessoal/Vanessa Facundes
Segundo ele, a carga apreendida no posto de fiscalização acreano saiu, na verdade, de Rondônia para Brasiléia, no interior do Acre, porque um cliente demonstrou interesse em comprar os animais. Enquanto os animais viajavam para o Acre, Wellington contou que tentava conseguir uma vaga na 13ª Rondônia Rural Show Internacional para exibi-los.
“O pessoal falou que não iria conseguir um lugar pra mim [na feira agropecuária]. Mandei os animais para o Acre, porque tinha procura, tinham clientes esperando para ver. Abriram espaço para mim na Rondônia Rural Show e pedi para retornar com elas para a feira”, destacou.
No retorno para Rondônia, conforme ele, houve a parada na Tucandeira e o caminhão boiadeiro foi apreendido com a carga. O motorista e o passageiro foram presos pela Polícia Militar, levados para a sede da Polícia Federal na noite de quarta e soltos pela Justiça Federal na quinta (21) durante audiência de custódia.
Animais estão abrigados
Os animais seguem em uma propriedade rural na Estrada de Porto Acre sob os cuidados da ONG Patinha Carente. A 1ª Vara da Justiça Federal no Acre informou que a destinação dos animais deve ser determinada esta semana para que a situação seja resolvida da melhor forma possível, prezando pelo bem-estar dos animais.
Na sexta-feira (22), o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) informou, por meio de nota, que o caso passou a ser tratado no âmbito da esfera federal, cabendo ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) definir quais medidas administrativas e sanitárias são aplicáveis ao caso. O Ministério Público Estadual (MP-AC) também acompanha a situação.
Ihamas foram levadas para uma propriedade rural na Estrada de Porto Acre
Documentação
Ainda conforme o empresário, para os animais transitar em território nacional após a importação é necessário somente um atestado veterinário de que estão sadios. Ele diz que possui autorização para importar os animais.
“Alguns são da importação passada. A origem dele é importada, tenho autorização para fazer a importação, já fiz uma ano passado. Esses animais que estão presos lá [Acre] são nacionalizados, alguns no Brasil, oriundos da primeira importação, e outros nasceram em casa [em Rondônia]. Tem dois que estão na mamadeira, estava guardando para levar para a Rondônia Rural Show”, disse.
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Wellington afirmou ainda que os animais não deveriam ter sido apreendidos e que enviou a documentação exigida para a Polícia Federal.
“Liguei para o delegado na hora da apreensão falando que os animais têm documentos. Ele ignorou, queria a nota fiscal de origem. Mandei com a data do ano passado, a nota fiscal de importação. Não quiseram, disseram que os animais eram ilegais, tentei argumentar, falei que se quisessem outra nota fiscal eu emitiria. Fiz isso cedo na quinta-feira (21). O delegado atropelou tudo e mandou para o juiz. Estamos fazendo a defesa”, argumentou.
Animais eram transportados em um caminhão boiadeiro que saiu de Brasiléia, no interior do Acre, e foram apreendidos na noite da última quarta-feira (20)
Polícia Federal
Ainda conforme com ele, há o risco dos animais sofrem algum tipo de intoxicação por não estarem se alimentando de forma adequada. “Não está cuidando do jeito que deve ser. Aqui em casa esses animais comem alfafa, ração de qualidade, cuido de várias animais na minha estrutura”, finalizou.
A presidente da ONG Patinha Carente, Vanessa Facundes, explicou que os animais estão bem e foram avaliados por um veterinário do Mapa. “Recebemos a visita de um veterinário, estão bem e estamos tentando uma parceria com a Ufac”, resumiu.
Lhamas foram levadas para uma fazenda na Estrada de Porto Acre na última quinta-feira (21)
Arquivo pessoal
Lhamas
As lhamas são mamíferos originários da Cordilheira dos Andes e vivem principalmente em países como Peru, Bolívia, Chile e Argentina. Domesticadas há milhares de anos pelos povos andinos, elas costumam ser usadas para transporte de carga, produção de lã e até companhia em áreas rurais.
A espécie se adapta melhor a regiões frias e de altitude elevada. Herbívoras, as lhamas se alimentam principalmente de capim, folhas, feno e outros vegetais.
Elas podem medir cerca de 1,70 metro de altura e pesar até 150 quilos. Conhecidas pelo comportamento dócil, também chamam atenção pela pelagem espessa e pelas orelhas alongadas.
No Brasil, a criação de lhamas não é comum e exige controle sanitário e autorização dos órgãos responsáveis.
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