A Justiça do Ceará determinou, nesta segunda-feira (27), que Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), remova conteúdos ofensivos contra o cantor Wesley Safadão. A decisão atende a um pedido da defesa do artista após o pré-candidato à presidência publicar vídeos acusando-o de liderar esquemas ilícitos em prefeituras.
No conteúdo contestado, publicado em março de 2026, Renan Santos afirmou que o cantor seria o “novo ícone da corrupção no Brasil”, citando contratos que somariam R$ 52 milhões. O juiz Gerardo Magelo Facundo Junior, no entanto, destacou que a liberdade de expressão não autoriza a imputação de crimes sem respaldo em elementos mínimos de prova.
O magistrado ressaltou que as afirmações categóricas de prática criminosa configuram uma “campanha de execração”, incompatível com o exercício do direito de crítica. Além da remoção imediata, a Justiça ordenou que as plataformas Facebook e Instagram suspendam a disponibilidade dos links citados no processo.
A defesa de Wesley Safadão reiterou que o artista nunca foi indiciado ou investigado por condutas análogas às mencionadas. Em nota, os advogados afirmaram que o ambiente digital não confere imunidade para a disseminação de acusações falsas com finalidade eleitoral.
Por outro lado, Renan Santos utilizou suas redes sociais para comentar a decisão judicial. Ele afirmou que o processo é uma tentativa de silenciar críticas ao modelo de contratação de shows por prefeituras de municípios pobres, prática que ele classifica como “política de pão e circo”.
A decisão fixa um prazo de 24 horas para o cumprimento da ordem. Caso os vídeos permaneçam no ar, Renan Santos estará sujeito a uma multa diária de R$ 5 mil, com teto inicial de R$ 50 mil. O Ministério Público do Ceará também se manifestou favoravelmente à remoção dos conteúdos.
O caso segue em tramitação tanto na esfera cível quanto na criminal, onde se apura a ocorrência de calúnia e difamação. O desfecho da ação pode estabelecer importantes precedentes sobre os limites do discurso político envolvendo figuras públicas e o uso de redes sociais para acusações diretas de corrupção.
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Fonte: News Rondônia