A Justiça Federal de São Paulo determinou, na tarde desta quinta-feira (23), a prisão preventiva dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei. A medida converte as prisões temporárias, efetuadas no último dia 15, em preventivas que não possuem prazo de validade determinado. A decisão ocorre logo após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder um habeas corpus ao grupo, mas a Polícia Federal apresentou novos elementos que justificariam a manutenção da custódia para garantir a ordem pública.
De acordo com as investigações da Operação Narco Fluxo, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão. O esquema envolveria a lavagem de capitais oriundos de bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. A PF aponta que os investigados utilizavam uma rede complexa de empresas de fachada, criptomoedas e “laranjas” para ocultar a origem ilícita dos recursos. Ao todo, 36 investigados tiveram a prisão convertida em preventiva e três passarão para o regime domiciliar.
O papel de Ryan, Poze e Choquei
Segundo o inquérito, MC Ryan SP é apontado como o líder e principal beneficiário econômico da engrenagem, utilizando empresas de entretenimento para misturar receitas legítimas com valores de apostas proibidas. Já MC Poze do Rodo estaria vinculado a estruturas financeiras de circulação de recursos das rifas. Raphael Sousa, dono da página Choquei, é citado como o “operador de mídia” da organização, recebendo valores para promover as plataformas do grupo e gerenciar crises de imagem dos artistas envolvidos.
MC Ryan SP: Apontado como líder; usava blindagem patrimonial em nome de terceiros.
MC Poze do Rodo: Integrante da engrenagem financeira e gestor de empresas de fachada.
Dono da Choquei: Operador de mídia; divulgava conteúdos favoráveis e promovia apostas.
Rodrigo Morgado: Contador do grupo; seu backup no iCloud foi o “mapa” para a PF.
Provas na nuvem e luxo apreendido
O avanço da operação foi possível graças à análise de arquivos armazenados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado. O backup revelou contratos, comprovantes de transferências fracionadas (prática conhecida como smurfing) e conversas que ligavam os artistas aos operadores financeiros. Durante as buscas, a PF apreendeu joias, carros de luxo e um colar com a efígie de Pablo Escobar. A Justiça também manteve o bloqueio de ativos em criptomoedas e contas bancárias até o limite de R$ 1,63 bilhão.
As defesas dos investigados criticaram a decisão. Os advogados de MC Ryan SP classificaram o pedido de prisão preventiva como “extemporâneo” e afirmaram que todas as transações do cantor são lícitas. A defesa de Poze do Rodo declarou que o novo pedido não apresenta fatos novos. Após a confirmação da manutenção da prisão nesta tarde, a esposa de Ryan, Giovana Roque, foi vista deixando o Centro de Detenção Provisória de Belém, em São Paulo, em estado de choque.
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Fonte: News Rondônia