A Itaipu Binacional iniciou uma fase decisiva de testes para transformar seu reservatório de 1,3 mil quilômetros quadrados em uma gigante plataforma de energia solar. Técnicos brasileiros e paraguaios analisam o desempenho de uma planta fotovoltaica flutuante instalada na margem paraguaia, capaz de gerar 1 megawatt-pico (MWp). O experimento busca validar a estabilidade das estruturas e o impacto ambiental sobre peixes e algas, servindo como laboratório para uma futura expansão comercial que poderia, em teoria, igualar a capacidade da própria hidrelétrica se ocupasse 10% da área inundada.
O projeto recebeu investimento de US$ 854,5 mil e foi executado por um consórcio binacional. Segundo o superintendente de Energias Renováveis, Rogério Meneghetti, a meta realista seria atingir uma geração solar de 3 mil megawatts nos próximos quatro anos, o que exigiria atualizações no Tratado de Itaipu de 1973. A iniciativa aproveita a infraestrutura já existente para diversificar a matriz energética da usina, garantindo maior resiliência ao sistema elétrico dos dois países diante de variações climáticas que afetam o nível do Rio Paraná.
Além da energia solar, o ecossistema de inovação do Itaipu Parquetec, em Foz do Iguaçu (PR), avança em pesquisas de hidrogênio verde e baterias de armazenamento. O Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio utiliza a eletrólise da água para criar combustíveis com emissão zero de carbono, já aplicados em projetos-piloto como barcos para comunidades ribeirinhas entregues na COP30, em Belém. O centro tecnológico atua como uma plataforma para validar o uso do hidrogênio em carretas e ônibus, fortalecendo a indústria nacional de transporte sustentável.
A gestão de resíduos também é convertida em energia no complexo binacional. Por meio do CIBiogás, alimentos apreendidos em fiscalizações de fronteira e restos orgânicos dos restaurantes da usina são transformados em biometano, combustível que abastece a frota interna de veículos. A unidade também desenvolve o bio-syncrude, óleo sintético essencial para a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Para a diretora técnica Daiana Gotardo, os próximos dez anos serão marcados pelo protagonismo desses combustíveis avançados na descarbonização global.
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Fonte: News Rondônia