O governo do Irã formalizou, neste sábado, 4 de abril, uma solicitação às autoridades portuárias para permitir a livre passagem de navios que transportem bens humanitários pelo Estreito de Ormuz. Segundo a agência estatal iraniana Tasnin, a Organização Portuária do país já recebeu orientações para listar as embarcações relevantes e emitir cartas de autorização para empresas do setor. A medida representa uma pequena abertura em uma das rotas marítimas mais tensas do mundo, que se tornou o epicentro das atenções globais desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no final de fevereiro.
O Estreito de Ormuz é responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% de todo o petróleo bruto produzido no planeta, conectando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Com o início dos bombardeios liderados pela coalizão ocidental, o Irã chegou a fechar o acesso e ameaçou atacar qualquer embarcação que tentasse a travessia, o que causou uma disparada imediata nos preços dos combustíveis no mercado internacional. Atualmente, a passagem está liberada apenas para bandeiras de nações que o Irã classifica como “não hostis”, como França, Omã e Japão, que cruzaram o canal na última quinta-feira.
A postura iraniana ocorre em meio a uma mudança de tom do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após ameaçar o uso da força militar e ataques a usinas de energia para reabrir o estreito, Trump declarou que os EUA não possuem dependência direta do petróleo que circula por aquela via. O presidente norte-americano afirmou que as nações que dependem economicamente do canal devem assumir a responsabilidade pela segurança e pelo acesso ao tráfego marítimo, sinalizando que Washington não pretende, no momento, liderar uma escolta armada para petroleiros.
A liberação para bens humanitários é vista por analistas internacionais como uma tentativa de Teerã de reduzir a pressão diplomática e evitar o agravamento de crises de abastecimento de alimentos e remédios na região. No entanto, a via permanece estratégica e altamente vigiada. O impacto do fechamento parcial de Ormuz continua a afetar o comércio global, especialmente o transporte de produtos agropecuários, mantendo a economia mundial em estado de alerta enquanto os combates em solo e no ar persistem em território iraniano.
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Fonte: News Rondônia