A economia brasileira deve registrar uma expansão de 1,8% em 2026, segundo a Carta de Conjuntura nº 70 divulgada nesta quinta-feira (9) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mantém o otimismo, apesar da instabilidade geopolítica gerada pela guerra iniciada em fevereiro entre Estados Unidos, Israel e Irã. Para o órgão vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento, a alta no preço internacional do petróleo é um fator de atenção, mas não anula o fôlego da demanda interna.
O relatório destaca que o motor central da economia continua sendo o consumo das famílias, impulsionado pelo aumento real do salário mínimo e pelo crescimento contínuo da renda disponível. Além disso, a rigidez do sistema financeiro nacional tem garantido um volume constante de crédito, o que favorece tanto o consumo quanto o investimento privado. O Ipea pondera que, embora o mundo viva a maior tensão desde a Guerra Fria, as dinâmicas internas brasileiras demonstram resiliência frente aos choques externos.
No campo das contas públicas, o instituto aponta que o Estado seguirá as diretrizes do novo arcabouço fiscal, equilibrando gastos de natureza social com o crescimento das receitas. Essa política inclui a reindexação de despesas com saúde e a valorização do mínimo como estratégias para manter a roda da economia girando. No comércio exterior, o Brasil pode se beneficiar indiretamente da demanda global por inteligência artificial e dos gastos com armamentos decorrentes dos conflitos internacionais, mantendo a balança comercial aquecida.
Se a previsão de 1,8% se confirmar, o somatório do PIB no quadriênio 2023-2026 alcançará 10,7%, superando o desempenho dos dois períodos governamentais anteriores. Esse índice ficaria cinco pontos percentuais acima do total registrado entre 2019 e 2022 (5,7%) e ligeiramente superior aos 9,9% acumulados entre 2015 e 2018. Para o próximo ano, em 2027, a estimativa preliminar do Ipea já aponta para um crescimento ainda mais robusto, na casa dos 2%.
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Fonte: News Rondônia