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Inteligência artificial impulsiona 80% da desinformação global em dois anos

O uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) para a criação de conteúdos enganosos atingiu um patamar sem precedentes na história recente. Um levantamento inédito da Agência Lupa, divulgado nesta semana, revela que 81,2% dos casos de desinformação gerados por IA foram registrados nos últimos dois anos, entre janeiro de 2024 e março de 2026. O mapeamento, intitulado “O impacto da IA no Fact-checking Global”, analisou quase 1,3 mil checagens profissionais em dez idiomas, evidenciando que eleições, guerras e crises políticas são os temas preferidos dos desinformadores.
Para Cristina Tardáguila, fundadora da agência e gerente de inovação, a tecnologia está redefinindo o campo das notícias falsas em escala global. Ela aponta que a imensa maioria das peças produzidas por IA e analisadas por checadores recebe o selo de “falso” ou “enganoso”, comprovando que a ferramenta tem sido subutilizada para fins positivos. O volume de mentiras flagradas saltou de 160 casos em 2023 para 578 em 2025, indicando que a manipulação digital deixou de ser pontual para se tornar uma ameaça permanente.
A preocupação central dos especialistas recai sobre os processos eleitorais de 2026, especialmente no Brasil e em países vizinhos como Peru e Colômbia. A pesquisadora alerta que os eleitores enfrentarão uma “enxurrada” de vídeos e áudios manipulados, conhecidos como deepfakes, capazes de imitar vozes e rostos com perfeição. O estudo mostra que o inglês lidera o ranking de idiomas com mais desinformação por IA (427 casos), seguido pelo espanhol (198) e pelo português (111).
Diante desse cenário, a educação midiática é apontada como a solução mais eficaz, funcionando como uma espécie de “vacina” para a sociedade. Tardáguila defende que políticas públicas de literacia digital sejam implementadas com urgência nas escolas, capacitando os cidadãos a interpretar e questionar a legitimidade do que consomem na internet. Além do papel do Estado, agências de checagem e veículos tradicionais de comunicação devem reforçar o compromisso com a transparência e o rigor técnico para preparar o brasileiro contra as falsidades digitais.
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Fonte: News Rondônia

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