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Insegurança alimentar atinge 60% das famílias em favelas brasileiras

Um levantamento inédito do Instituto Desiderata acendeu um alerta sobre a crise nutricional nas periferias do Brasil. Segundo a pesquisa “Ambientes alimentares em favelas”, 60,7% das famílias residentes em comunidades enfrentam algum nível de insegurança alimentar. O estudo, que ouviu moradores do Complexo da Maré e Caramujo (RJ) e do Coque (PE), revela a coexistência da fome com o excesso de peso, fenômeno conhecido como “dupla carga da má nutrição”, afetando 34,7% das crianças de 5 a 10 anos.
A realidade alimentar nesses territórios é moldada por barreiras econômicas e geográficas. Para 43% dos entrevistados, o preço elevado impede a compra de alimentos in natura, como frutas e verduras, tornando os produtos ultraprocessados a opção mais viável. Além disso, o acesso físico é um desafio: 33% dos moradores levam mais de 30 minutos para chegar ao local de compras, e a maioria faz esse percurso a pé, caracterizando o que especialistas chamam de “desertos alimentares”.
A escola surge como um ponto estratégico de proteção, já que mais de 50% das crianças realizam refeições no ambiente escolar. No entanto, o estudo identificou falhas graves, como no bairro do Coque, onde apenas 16,33% dos alunos almoçam na escola, apesar da alta taxa de matrícula. Fatores externos, como operações policiais que interrompem o funcionamento das unidades de ensino, também prejudicam diretamente a nutrição de milhares de jovens nessas localidades.
A análise do perfil das famílias reforça a vulnerabilidade social, apontando que 89% dos responsáveis pela alimentação são mulheres, em sua maioria negras. Para Andrea Rangel, gerente do instituto, a equidade na saúde alimentar só será alcançada quando o CEP de um cidadão deixar de ser um impeditivo para o acesso a comida de qualidade. O instituto defende políticas públicas que incentivem a oferta de alimentos frescos dentro das comunidades para reverter o cenário de obesidade e subnutrição.
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Fonte: News Rondônia

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