Uma cena chocante que viralizou nas redes sociais neste final de abril teve sua veracidade confirmada pelas autoridades da Índia. As imagens mostram Jeetu Munda, um homem de 50 anos, caminhando descalço por uma estrada de terra no distrito de Keonjhar, no estado de Odisha, carregando nos ombros os restos mortais de sua irmã, Kalara Munda, envoltos em tecidos. O objetivo do homem era levar o esqueleto até uma agência do Odisha Grameen Bank para comprovar que a irmã havia morrido e conseguir sacar cerca de 20 mil rúpias indianas (pouco mais de mil reais).
A irmã de Jeetu havia falecido há cerca de dois meses em decorrência de uma doença. O dinheiro depositado na conta era fruto da venda de gado e, como ela não deixou outros herdeiros, Jeetu tentava acessar o valor. Após a repercussão do vídeo, análises técnicas, incluindo o uso da plataforma Hive Moderation, descartaram a possibilidade de manipulação por inteligência artificial ou deepfake, confirmando que o episódio dramático realmente aconteceu.
Falha de comunicação e burocracia bancária
De acordo com relatos de Jeetu Munda à imprensa local, ele foi diversas vezes à agência bancária, mas não conseguia realizar o saque por falta de documentação. Ele alega que os funcionários teriam insistido na presença física da titular da conta para liberar o dinheiro. “Embora eu lhes dissesse que ela havia falecido, eles não me deram ouvidos”, desabafou ao India Today. Em um ato de desespero e frustração, ele decidiu exumar os restos mortais para apresentar como “prova viva” do falecimento.
A polícia de Patana informou que o caso envolveu uma grave falha de comunicação. Jeetu é descrito como um homem tribal analfabeto que não compreendia os trâmites legais de sucessão bancária. Por outro lado, os funcionários do banco não teriam conseguido explicar de forma clara quais documentos eram necessários para que um herdeiro pudesse acessar os recursos de uma pessoa falecida, especialmente em uma região onde o acesso à documentação oficial é precário.
O posicionamento da instituição financeira
O Indian Overseas Bank (IOB), instituição responsável pela agência, emitiu um comunicado oficial negando que tenha exigido a presença física de uma pessoa morta. Segundo o banco, o gerente explicou a Jeetu que, pelas normas indianas, o saque só é permitido mediante a apresentação da certidão de óbito e a formalização do “acerto de reivindicação por morte”. A nota afirma ainda que Jeetu retornou à agência em estado de embriaguez carregando os restos humanos e os colocou em frente ao estabelecimento.
O banco reiterou que as regras de segurança servem para proteger os recursos dos clientes e que o pagamento será priorizado assim que a certidão de óbito for formalizada. Após o incidente, a polícia e a administração local intervieram para auxiliar Jeetu na regularização dos documentos. O esqueleto de Kalara Munda foi novamente sepultado no cemitério da comunidade sob supervisão policial, encerrando o episódio que expôs as dificuldades enfrentadas por comunidades rurais pobres na Índia diante da burocracia estatal.
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Fonte: News Rondônia