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Guinada à direita redesenha o mapa político da América do Sul

Política · América do Sul
A eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia e a liderança de Keiko Fujimori no Peru reforçam o avanço conservador no continente. Brasil e Uruguai resistem à esquerda, enquanto a Venezuela segue como exceção, sob governo interino após a intervenção dos Estados Unidos.
Por Daniel Paixão — Especial para Tribuna Popular

A América do Sul consolida uma virada conservadora. A vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia, anunciada neste domingo (21), somada à liderança de Keiko Fujimori na apuração peruana, reforça uma sequência de avanços da direita no continente.
O movimento já havia ganhado força com a eleição de José Antonio Kast no Chile, em dezembro de 2025, e de Rodrigo Paz na Bolívia, também em 2025, após o segundo turno realizado em outubro. Com esse novo arranjo político, governos de direita e de centro-direita passam a ocupar a maior parte do mapa sul-americano, enquanto Brasil e Uruguai permanecem como as principais exceções à esquerda.

Na Colômbia, De la Espriella, do movimento Defensores de la Patria, derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda, do Pacto Histórico, em uma das disputas mais acirradas da história recente do país. Pela contagem preliminar, o candidato de direita abriu vantagem estreita e foi reconhecido como presidente eleito; assume em 7 de agosto, no lugar de Gustavo Petro. Cepeda admitiu o resultado, mas anunciou que sua campanha vai impugnar parte das mesas no escrutínio oficial. A vitória encerra o ciclo de Petro, primeiro presidente de esquerda do país, e reforça a agenda de segurança pública, combate ao crime e liberalização econômica que marca os novos governos da região.
No Peru, a apuração do segundo turno coloca Keiko Fujimori à frente do esquerdista Roberto Sánchez por margem mínima, sustentada pela contagem do voto no exterior, favorável à candidata de direita. O resultado, porém, ainda não é oficial: o Jurado Nacional de Eleições prevê divulgar o desfecho apenas em meados de julho, após revisar atas em observação.
O movimento ganhou força ao longo de 2025. No Chile, José Antonio Kast venceu o segundo turno de dezembro contra a candidata de esquerda Jeannette Jara, impondo a guinada conservadora mais acentuada desde o fim da ditadura militar.
Na Bolívia, a eleição do centrista Rodrigo Paz, em outubro, encerrou quase duas décadas de hegemonia do Movimento ao Socialismo (MAS), legenda ligada ao ex-presidente Evo Morales, e foi lida como ruptura histórica em um dos antigos símbolos da esquerda latino-americana.

Como ficou o mapa
Direita / centro-direita: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru (na liderança da apuração).
Esquerda: Brasil e Uruguai.
Exceção: Venezuela, sob governo interino após a intervenção dos Estados Unidos.

Com esses resultados, a direita passa a liderar a maior parte dos principais governos sul-americanos. Argentina, Equador e Paraguai já operavam sob administrações de direita ou centro-direita; agora, Chile, Bolívia, Peru e Colômbia reforçam a tendência. O perfil regional contrasta com o início da década, quando a chamada “onda rosa” ainda parecia ter fôlego em boa parte do continente.
Brasil e Uruguai seguem na contramão. Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, mantém o comando do Executivo brasileiro, enquanto Yamandú Orsi assumiu a presidência uruguaia em 2025, marcando o retorno da Frente Ampla, coalizão de centro-esquerda, ao poder.
A Venezuela é o ponto fora da curva. Após a eleição contestada de 2024, o país mergulhou em crise institucional e, no início de 2026, viveu uma intervenção militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro, levado a Nova York para responder a acusações criminais. Desde então, a Venezuela é governada de forma interina por Delcy Rodríguez, em meio a negociações, disputas internas e pressões por uma transição democrática.
A nova configuração tende a afetar diretamente a segurança pública, a integração econômica, a política migratória, o combate ao narcotráfico e o alinhamento diplomático da região, sobretudo na relação com os Estados Unidos.
Mais do que alternância de poder, a sequência de derrotas eleitorais expõe o desgaste de setores tradicionais da esquerda diante de crises econômicas, do aumento da violência e da frustração com promessas não cumpridas. Aos novos governos de direita, resta o desafio de converter o discurso de ordem e crescimento em resultados concretos para eleitorados cada vez mais exigentes.


Fonte: Tribuna Popular

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