A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta uma crise sanitária acentuada por décadas de guerras civis e pela retração da cooperação internacional em saúde. O surto atual de ebola, concentrado especialmente na província de Ituri, no nordeste do país, evolui rapidamente em um cenário marcado pela presença de grupos paramilitares e pela escassez de profissionais especializados para o atendimento médico.
Impacto dos conflitos e crise humanitária
O epicentro do surto, que responde por 93% dos 676 casos confirmados no país, é uma zona de disputa entre cerca de 100 grupos armados, incluindo o M23, que controlam a exploração de recursos minerais. De acordo com especialistas, a instabilidade política e o financiamento externo de facções dificultam o acesso das equipes de saúde às populações deslocadas. O professor Nuno Carlos de Fragoso Vidal, da UFRJ, aponta que acordos de paz têm se mostrado ineficazes diante das pretensões territoriais e da apropriação de recursos naturais na região.
Redução na cooperação internacional
O combate à doença também sofre com mudanças na governança global. A política de redução de ajuda internacional dos Estados Unidos impactou diretamente a assistência à RDC, com uma queda acentuada nos repasses orçamentários. Além disso, a transição de um modelo de cooperação multilateral, via Organização Mundial da Saúde (OMS), para negociações bilaterais tem gerado incertezas e dificuldades na fiscalização dos recursos. Paralelamente, o aumento dos gastos militares por parte de potências europeias, que elevaram investimentos em defesa após pressão dos Estados Unidos, tem reduzido a disponibilidade de verbas para ajuda humanitária.
Desafios de contenção
Até o dia 10 de junho, a RDC registrou 676 casos e 136 mortes pelo vírus. Em Uganda, país vizinho que também detectou transmissão, foram confirmados 19 casos e dois óbitos. Para conter a expansão, a União Africana e a OMS elaboraram um plano que demanda 517 milhões de dólares em investimentos nos próximos seis meses. As prioridades incluem a ampliação de testes diagnósticos rápidos e a segurança para que equipes de resposta consigam atuar em áreas de conflito, onde a escassez de epidemiologistas e clínicos permanece como um dos maiores obstáculos ao controle da epidemia.
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Fonte: News Rondônia