O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, fez um apelo dramático aos senadores nesta quarta-feira (8) pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023. Durante depoimento à CPI do Crime Organizado, Galípolo afirmou que a instituição opera atualmente “no limite” de sua capacidade operacional e financeira. Ele destacou que, desde sua sabatina em 2024, tem buscado apoio para a medida, mas que o cenário atual de carência de recursos o levou a pedir “socorro” aos parlamentares para garantir a continuidade dos serviços.
A PEC 65 propõe uma mudança profunda no regime jurídico do Banco Central, transformando-o em uma empresa pública com autonomia técnica, orçamentária e financeira. O objetivo é desvincular o órgão da subordinação direta a ministérios, conferindo-lhe poder de polícia para regulação e supervisão, sob a fiscalização direta do Congresso Nacional. Segundo Galípolo, essa autonomia é essencial para que o BC consiga investir em novas tecnologias e contratar pessoal qualificado para enfrentar o avanço das facções criminosas no sistema financeiro.
Um dos pontos centrais do alerta de Galípolo foi o subdimensionamento do quadro de funcionários. Atualmente, o Banco Central conta com apenas 3,4 mil servidores para preencher os 6.470 cargos previstos em lei — uma ocupação de pouco mais de 50%. O presidente comparou os números brasileiros com potências internacionais, citando que o Federal Reserve, dos Estados Unidos, possui 23 mil servidores, enquanto o Banco Central da Índia conta com 13 mil. Para ele, essa disparidade compromete a capacidade de fiscalização da autoridade monetária.
Galípolo argumentou que o crime organizado possui recursos vastos para adquirir tecnologias de ponta e burlar o sistema, enquanto o BC enfrenta dificuldades até para repor equipamentos básicos e pessoal. Ele ressaltou que a autonomia não significa falta de transparência, mas sim a garantia de recursos adequados para desempenhar funções vitais, como o controle da inflação e a prevenção à lavagem de dinheiro. O texto da PEC segue em tramitação no Senado, onde defensores da proposta buscam acelerar a análise para modernizar a jurisdição financeira brasileira.
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Fonte: News Rondônia