A música erudita, muitas vezes vista como distante da realidade amazônica, ganha novos contornos quando encontra histórias como a do tenor Marcos Grutzmacher. Em participação no programa Frequência Criativa, ele abriu não apenas sua trajetória pessoal, mas também os bastidores de uma área artística que cresce, mesmo diante de desafios culturais e estruturais em Porto Velho.
Desde a infância, Marcos já demonstrava interesse pela música, mesmo sem acesso facilitado a conteúdos ou formação específica. Em uma época sem internet e com poucas referências disponíveis, foi através da televisão e de experiências marcantes que o encanto pelo canto lírico começou a surgir.
Esse primeiro contato evoluiu com o tempo, especialmente quando passou a frequentar aulas de iniciação musical. Foi nesse ambiente que teve a oportunidade de conhecer profissionais da área e, principalmente, ouvir de perto o canto lírico, algo que mudaria completamente sua vida.
Ao longo dos anos, Marcos construiu uma carreira sólida, marcada por dedicação, estudo e superação. Ele próprio relata que não possuía uma voz naturalmente preparada para o canto erudito e enfrentou dificuldades vocais na infância. Ainda assim, encontrou na técnica vocal e na disciplina o caminho para desenvolver seu potencial.
Essa experiência reforça uma das principais mensagens defendidas por ele durante a entrevista: qualquer pessoa pode cantar. O diferencial está no esforço, na orientação correta e na persistência. Para Marcos, o talento pode até abrir portas, mas é o estudo que sustenta uma carreira artística.
Além de cantor, ele também atua como professor e fonoaudiólogo, o que amplia sua visão sobre a voz como instrumento. Sua formação acadêmica inclui graduação, mestrado e doutorado, além de atuação na área de Libras, mostrando uma trajetória multifacetada e comprometida com a educação.
A música como transformação social
Mais do que técnica e performance, Marcos destaca o impacto da música na vida das pessoas. Segundo ele, o contato com a arte pode transformar realidades, melhorar a saúde emocional e fortalecer vínculos sociais.
No coral do IFRO, por exemplo, relatos de alunos mostram ganhos que vão além do palco. Pessoas que enfrentavam timidez, isolamento ou até quadros de depressão encontraram na música um espaço de acolhimento e desenvolvimento pessoal.
A prática coletiva, como o canto coral, também contribui para o senso de pertencimento e construção de comunidade, algo essencial em tempos de conexões cada vez mais digitais e superficiais.
Projetos que fortalecem a música erudita em Rondônia
Um dos grandes destaques da atuação de Marcos é a criação e desenvolvimento de projetos culturais que buscam democratizar o acesso à música erudita.
Entre eles, está a tradicional “Manhã Lírica”, que evoluiu ao longo dos anos e passou a se chamar “Semana Lírica”, refletindo o crescimento do evento. O projeto saiu de uma apresentação única para uma programação com vários dias, reunindo cantores, músicos e público interessado em conhecer mais sobre o canto lírico.
Outro destaque é o “Encontro da Voz”, considerado hoje um dos principais eventos de corais do estado. A iniciativa reúne grupos vocais e promove intercâmbio artístico, fortalecendo o cenário musical local.
Além disso, Marcos também integra o grupo vocal Canoro e desenvolve ações em escolas, levando apresentações e incentivando novos talentos.
Música erudita: elitizada ou acessível?
Durante a entrevista, um ponto importante foi levantado: a ideia de que a música erudita seria superior a outros estilos. Para Marcos, essa visão não se sustenta. Ele defende que a música erudita é apenas mais uma forma de expressão artística, diferente, mas não superior.
O objetivo de seus projetos, segundo ele, é justamente quebrar essa barreira e aproximar o público desse universo, mostrando que qualquer pessoa pode apreciar e até praticar esse estilo musical.
Um convite à arte
Ao final da conversa, a mensagem deixada é clara: quem tem vontade de cantar deve buscar oportunidades, estudar e não desistir diante das dificuldades. Porto Velho, que antes tinha poucas opções, hoje conta com cursos, projetos sociais e iniciativas que facilitam esse acesso.
A trajetória de Marcos Grutzmacher mostra que, mesmo em contextos desafiadores, é possível construir caminhos na arte e impactar positivamente a vida de outras pessoas.
Mais do que uma entrevista, o episódio do Frequência Criativa se transforma em um convite: experimentar a música, descobrir novos talentos e entender que a arte pode, sim, transformar histórias.
Veja mais notícias
Fonte: News Rondônia