O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), participou nesta terça-feira (7) de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir a proposta de aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Durante o pronunciamento, feito em inglês, o parlamentar pediu que o governo norte-americano adie a decisão sobre o chamado “tarifaço”, argumentando que o Brasil realizará eleições presidenciais em outubro e que o cenário político poderá mudar nos próximos meses.
Segundo Flávio Bolsonaro, a adoção imediata das tarifas prejudicaria empresas e trabalhadores brasileiros e dificultaria futuras negociações comerciais entre os dois países.
Senador defende adiamento da medida
Em sua fala, o senador afirmou que este seria “o pior momento possível” para a adoção das novas tarifas e solicitou que os Estados Unidos suspendam a medida.
Flávio também argumentou que, caso o objetivo seja pressionar o governo brasileiro, existem mecanismos mais direcionados do que a aplicação de tarifas comerciais.
Segundo ele, a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos deve ser preservada, considerando a parceria comercial existente entre os dois países.
Audiência reúne representantes do setor produtivo
A audiência faz parte da investigação conduzida pelo USTR sobre práticas comerciais brasileiras. O órgão avalia a possibilidade de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos exportados pelo Brasil.
A participação no evento é aberta a representantes de empresas, entidades e cidadãos previamente inscritos. Flávio Bolsonaro participou de forma independente, sem representar oficialmente o governo brasileiro.
Durante a audiência, ele esteve acompanhado do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos.
Críticas ao governo e defesa do PIX
Além do tema comercial, Flávio Bolsonaro fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abordou temas como corrupção e segurança jurídica.
O senador também defendeu o sistema de pagamentos instantâneos PIX, afirmando que a ferramenta ampliou a inclusão financeira e beneficia consumidores e empresas.
Segundo o parlamentar, o sistema representa um avanço para a economia brasileira e não deveria ser utilizado como argumento em discussões comerciais.
Governo brasileiro mantém negociação diplomática
Enquanto o senador participou da audiência pública, o governo brasileiro optou por não apresentar representantes para discursar no evento.
A estratégia do Executivo é concentrar as negociações por meio dos canais diplomáticos e técnicos entre o Itamaraty, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e autoridades norte-americanas.
O governo brasileiro também já encaminhou resposta oficial ao USTR, contestando as alegações de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos Estados Unidos e defendendo que temas como o PIX e decisões do Supremo Tribunal Federal não possuem relação com questões comerciais.
A decisão final sobre a eventual aplicação das novas tarifas deverá ser anunciada pelo governo norte-americano após a conclusão das audiências públicas e da análise técnica conduzida pelo USTR.
FAQ
Por que Flávio Bolsonaro participou da audiência?
O senador se inscreveu para participar da audiência pública do USTR e apresentou argumentos contrários à aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
O que é o tarifaço dos EUA?
Trata-se da proposta de criação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos exportados pelo Brasil.
Flávio representou o governo brasileiro?
Não. A participação ocorreu de forma independente e sem vínculo oficial com o Itamaraty.
O governo brasileiro participou da audiência?
O governo enviou observadores, mas optou por manter as negociações por meio de canais diplomáticos e técnicos.
Quando os Estados Unidos devem decidir sobre as tarifas?
A decisão deverá ocorrer após a conclusão da investigação conduzida pelo USTR e da análise das contribuições apresentadas durante as audiências públicas.
Com informações de Raquel Krähenbühl, Mariana Laboissière, Ana Flávia Castro, g1 e TV Globo
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Fonte: News Rondônia