O desenvolvimento de um forte fenômeno climático El Niño no segundo semestre deste ano acende um alerta para o mercado global de commodities. Caracterizado pelo aquecimento periódico das águas superficiais do Pacífico oriental, o evento altera regimes de chuva e eleva as temperaturas ao redor do mundo. Com a confirmação de sua chegada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), produtores rurais enfrentam agora a incerteza climática somada aos desafios de custo com fertilizantes e combustíveis, o que pressiona a oferta de produtos como cacau, café e açúcar.
Impactos na produção de cacau
O cacau é um dos setores mais sensíveis ao fenômeno. O histórico dos últimos 55 anos aponta redução constante na produção durante episódios fortes de El Niño. Na África Ocidental, que concentra cerca de 50% da produção mundial, o impacto tem sido errático: episódios recentes trouxeram tanto excesso de chuvas, favorecendo doenças fúngicas, quanto períodos de calor intenso e ventos secos (Harmattan) que prejudicaram a floração. A volatilidade climática já levou os preços da matéria-prima a patamares recordes, ultrapassando os 12 mil dólares por tonelada métrica no final de 2024.
Café robusta sob ameaça
Para o café, o impacto varia conforme a variedade. O robusta é o mais exposto, visto que o El Niño tende a reduzir as chuvas e aumentar as temperaturas no Vietnã e na Indonésia, líderes mundiais no fornecimento desta categoria. Analistas do Citi alertam que a seca nessas regiões durante fases cruciais de desenvolvimento pode reduzir significativamente a produtividade. No Brasil, principal produtor de arábica, o efeito é ambíguo: se por um lado o calor pode evitar geadas severas a curto prazo, a seca prevista para o último trimestre pode comprometer a safra de 2027.
Açúcar e o cenário produtivo
O mercado de açúcar vive uma dualidade geográfica. Enquanto o El Niño pode trazer chuvas excessivas que prejudicam a qualidade da colheita no Brasil, principal exportador global, o mesmo padrão climático tende a causar secas severas na Índia e na Tailândia. Especialistas estimam que, apenas na Índia, um El Niño de intensidade moderada pode reduzir a produção em 1 milhão de toneladas. Contudo, analistas ponderam que as chuvas favorecidas pelo fenômeno no Brasil poderiam, em um horizonte de longo prazo, beneficiar a safra de 2027, mantendo um cenário de estabilidade ou cautela no mercado internacional.
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Fonte: News Rondônia