Liderança histórica do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco, presidente licenciado do diretório municipal da legenda no Recife e atualmente em seu sexto mandato na Câmara Municipal, Osmar Ricardo Cabral Barreto concedeu uma longa entrevista exclusiva ao Conexão Política, na qual abriu os bastidores de décadas de atuação política e partidária e falou sobre a relação entre petistas e socialistas no estado.
Em conversa com o jornalista Raul Holderf Nascimento, Osmar Ricardo afirmou que Lula não deve subir no palanque de João Campos no primeiro turno da disputa pelo governo de Pernambuco e fez uma série de relatos sobre as tensões que atravessam a relação entre PT e PSB. Entre os pontos revelados, contou que o ex-prefeito do Recife tentou expulsá-lo do partido e expôs a insatisfação existente entre setores petistas com a condução política dos socialistas.
Ao longo da entrevista, o dirigente também fez duras críticas à gestão municipal do Recife, abordou conflitos marcantes de sua trajetória dentro do PT e analisou o atual cenário político pernambucano. Na avaliação de Osmar, uma eventual derrota do PSB na disputa estadual pode alterar a correlação de forças da esquerda e devolver ao PT um papel de maior protagonismo político em Pernambuco.
Foto: Câmara do Recife
Lula fora do palanque no primeiro turno
Um dos principais relatos apresentados por Osmar Ricardo envolve diretamente a estratégia eleitoral de Lula em Pernambuco. Integrante do Diretório Nacional do PT e conhecedor das discussões internas da legenda, o dirigente afirmou que o presidente não estará presencialmente no palanque de João Campos no decorrer do primeiro turno.
Segundo ele, a decisão política não estaria restrita a Pernambuco e alcançaria também outros estados nos quais a composição das alianças impõe maior cautela ao núcleo nacional petista.
Osmar disse que existe uma movimentação recorrente do grupo de João Campos para aproximar a imagem do socialista à de Lula e citou, como exemplo, a participação do então presidente nacional do PSB em um evento petista. Na avaliação do vereador, porém, a forma como Lula apresentou Campos naquela ocasião não correspondeu ao endosso eleitoral que os socialistas buscavam transmitir naquele momento.
O petista chamou atenção para o fato de Lula ter apresentado João como presidente nacional do PSB, sem, segundo sua leitura, fazer uma manifestação explícita apresentando-o como seu candidato ao governo pernambucano. “Ele não vem a Pernambuco. Afirmo isso”, declarou Osmar durante a entrevista.
Na avaliação do dirigente, existe uma pressão política do campo socialista para associar João à candidatura presidencial de Lula. Osmar lembrou ainda a gravação de material em que Lula manifesta, sim, apoio ao socialista, mas sustenta que isso não significa necessariamente a presença física do presidente no palanque pernambucano durante o pleito de até 4 de outubro.
A fala tem peso maior porque Osmar não fala como um personagem externo ao PT. Além de comandar o diretório municipal do Recife, ele integra o Diretório Nacional e construiu sua trajetória política dentro das estruturas partidárias e sindicais da legenda.
“João Campos força toda hora esse embate para que Lula venha aqui. Inclusive tentou ir lá antes, porque foi a convenção do PSB lá. E até o Lula referenciou ele lá, o filho de Eduardo, presidente nacional do PSB, mas não é o fato esse. O fato é que Lula não vem no primeiro turno para Pernambuco. Pode dizer que ele não vem a Pernambuco. Afirmo isso. Ele não vem a Pernambuco. O João Campos fez ele gravar um vídeo dizendo que ele estava apoiando o João Campos. Porque é um desespero grande, é uma pressão grande em cima disso. Ele foi para lá, agora mesmo você viu, teve a convenção do Lula, domingo. Ele foi para lá e o Lula falou: ‘Está aqui o presidente nacional do PSB’. Mas em nenhum momento ele diz assim: ‘É um jovem pernambucano, o presidente do PSB, que é o nosso candidato lá em Pernambuco’. Ele não disse isso. Ele só apresentou ele como presidente do PSB. Na convenção do Lula, domingo agora. Então veja, a convenção dele estava marcada para domingo também, ele desmarcou e botou para sábado, para domingo estar na do Lula.”
Rompimento com João Campos
A entrevista também expôs em detalhes o processo que levou Osmar Ricardo a romper politicamente com João Campos. O dirigente deixou claro que sua posição não representa qualquer tipo de afastamento do PT. Pelo contrário. Reafirmou sua permanência na legenda e disse não ter intenção de abandoná-la. A pausa, segundo ele, é com a condução política do PSB e, particularmente, com João Campos.
Osmar contou que já acumulava divergências com a administração municipal em assuntos ligados aos servidores públicos e à condução da Prefeitura do Recife. Sindicalista e ligado historicamente à representação dos trabalhadores municipais, ele apontou a política de concursos e convocação de aprovados como uma das principais fontes de desgaste.
Segundo o vereador, concursos realizados para preencher determinado número de vagas terminariam com apenas uma parcela dos aprovados sendo chamada inicialmente, enquanto o restante permaneceria aguardando durante a validade dos certames. Para Osmar, essa política é, de fato, a falta de valorização do funcionalismo e dos candidatos que se submetem aos processos seletivos.
Foto: Reprodução/Instagram
Mas houve, segundo ele, um caso que ultrapassou as divergências administrativas e se transformou na “gota d’água” da relação. Osmar se referia ao escândalo que ficou conhecido como “Fura-Fila”, uma ação envolvendo um concurso público da Prefeitura do Recife e uma vaga destinada a pessoa com deficiência (PcD). A medida local ganhou repercussão em todo o país depois que um candidato que originalmente não concorria pela lista de PcDs passou a integrar essa modalidade e acabou nomeado para uma vaga que, pela classificação anterior, seria destinada a Marko Batista, aprovado pela cota e que enfrentava problemas de saúde. A visibilidade aumentou ainda mais quando veio a público que o candidato beneficiado pela alteração era filho de um juiz que havia atuado em uma decisão relacionada a uma investigação envolvendo a gestão municipal.
Para Osmar, aquela foi o basta para o seu rompimento definitivo. A partir dali, as críticas deixaram de se restringir aos bastidores e passaram a integrar sua atuação política de maneira aberta.
“O meu apoio a Raquel Lyra é porque o PSB aqui é um partido que persegue as pessoas. Não há espaço para contraponto. Não há. Ou tem que obedecer ou é perseguido por ele. Eu sou um cara que sou sindicalista. Tenho seis mandatos de vereador, não sou qualquer um. E eu digo que, na política, o pai dele tinha diálogo. Tinha diálogo. É diferente. Muito diferente do pai.
Botou uma juventude dentro da prefeitura para comandar a prefeitura, que hoje tem muitos problemas. Uma prefeitura que hoje… Por exemplo, a gente defende concurso público, eu sou daqueles que defendem o concurso.
Quando ele pega o filho de um juiz para passar na frente de uma pessoa que tem um problema já, tira o sonho das pessoas. Isso aí, para mim, foi o limite. Para romper com ele foi quando a gente aqui preparou uma CPI. E o presidente da Câmara tem articulado esse processo. Então, essa foi a gota d’água. Foi a gota d’água. Já tínhamos alguns problemas com ele, públicos, com a não valorização aos trabalhadores. Como eu te falei, eu sou o presidente do Sindicato dos Servidores do Recife. E ele não, na verdade, valoriza os trabalhadores. Concurso que os caras fazem, ele só chama… É de mil, ele chama cem. E fica, entendeu? Quando chega perto de terminar o prazo do concurso, dois anos, ele vai e renova. Mas aí, bicho, não é isso. O cara fez o concurso, o cara diz que é 400 vagas, chama cem, chama duzentos. Então, a valorização para o trabalhador não existe.”
‘Prefeito do aditivo’
A respeito da administração municipal, Osmar elevou o tom. O petista criticou a duração de obras, a qualidade de intervenções realizadas pela Prefeitura e a utilização de aditivos contratuais. Em uma das expressões mais duras da entrevista, chamou João Campos de “prefeito do aditivo”. Segundo a sua avaliação, determinadas obras atravessam longos períodos entre o anúncio, a execução e a entrega, acumulando alterações contratuais no processo. Ele também questionou a qualidade de acabamentos e disse enxergar uma administração fortemente orientada pela construção de uma imagem eleitoral.
Osmar recordou que João Campos atravessou seu primeiro mandato praticamente sem uma oposição numericamente expressiva na Câmara Municipal. O apesar da frente inicial, segundo ele, mudou completamente.
Hoje, afirmou, um grupo de 13 vereadores atua na oposição direta ao prefeito. Na interpretação do dirigente petista, a formação desse bloco permitiu ampliar a fiscalização da administração municipal e apresentar à população um contraponto à imagem construída pelo prefeito. Osmar liga esse movimento também às mudanças vistas no reduto político estadual. Para ele, a exposição mais aguerrida à Prefeitura contribuiu para que uma parcela dos eleitores passasse a ver João Campos sob outra perspectiva.
“É muita fantasia. É o prefeito do aditivo. É o prefeito da política, da eleição. Ele começa uma obra na eleição, só termina na outra eleição. E, durante isso, tem vários aditivos. Então, a gente não pode aguentar isso em Recife. Obras mal acabadas, acabamento ruim. Qualidade péssima do que ele faz. João Campos, na verdade, governou o primeiro mandato dele, de 2020 a 2024, fazendo isso. E agora ele tem oposição em Recife. Ninguém fazia oposição a ele. E hoje tem 13 vereadores fazendo oposição a ele aqui no Recife. E ajudou muito na queda das pesquisas. Ajudou muito a abrir os olhos do povo pernambucano em quem é João Campos de verdade.”
Licença da presidência e resistência dentro do PT
A decisão de Osmar de não acompanhar a aliança formal do PT com o PSB produziu consequências dentro da própria legenda. Presidente do diretório municipal petista, ele optou por se licenciar da função diante da impossibilidade, segundo explicou, de comandar uma estrutura partidária envolvida em uma campanha na qual pessoalmente não acredita.
“Eu não vou coordenar a campanha de quem eu não confio”, resumiu. Osmar fez questão de estabelecer uma distinção: licenciou-se da presidência, mas não deixou o PT. Ele continua filiado e reafirma sua identidade política com o partido. Sua divergência está concentrada na aliança com o PSB em solo pernambucano.
Na reunião partidária que deliberou sobre a composição, o grupo contrário à aliança foi derrotado. De acordo com Osmar, 12 dos 57 votos foram contrários à aproximação com os socialistas. O resultado sinalizou que a posição defendida por ele é minoritária dentro da instância que tomou a decisão, mas não isolada. E, segundo o vereador, a resistência vai muito além dos votos formais registrados na reunião.
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“Eu pedi licença do PT. Eu sou o presidente do PT da capital do Recife. Resolvi não apoiar ele. Na reunião da Executiva, a gente votou contra. Foram 12 votos contra. De 57, 12 foram contra a aliança com o PSB. Fui vencido. Continuei dentro do PT e estou no PT. Sou do PT e não pretendo sair. Só não concordo com a política do PSB. Por isso que eu me licenciei, porque eu não vou coordenar a campanha de quem eu não confio.”
Petistas que caminham com Raquel Lyra
Osmar afirmou que existe um conjunto de lideranças, filiados, vereadores e integrantes históricos do PT que, mesmo diante da aliança partidária formal, enxerga com simpatia a continuidade de Raquel Lyra no governo. Na entrevista, ele mencionou nomes ligados à história do partido e afirmou que prefeitos e vereadores petistas de diferentes regiões também estão politicamente próximos da governadora.
Segundo ele, figuras lulopetistas não fazem campanha aberta por estarem diretamente envolvidas no processo eleitoral e precisarem observar as regras partidárias e eleitorais. Osmar, por não disputar um cargo, considera ter maior liberdade para tornar pública sua posição.
O dirigente também afirmou perceber uma parcela do próprio eleitorado de Lula inclinada a votar em Raquel, conjuntura que, em sua interpretação, demonstra que a disputa estadual não reproduz automaticamente as alianças nacionais. Para ele, o eleitor pernambucano consegue separar o voto presidencial das escolhas estaduais.
“Dentro do PT tem muitas pessoas que hoje estão com Raquel, vão votar com Raquel. Não têm como fazer campanha nesse tempo como eu estou fazendo. O meu problema com João Campos é enfrentamento político de verdade. Os outros também são. Os outros entendem que o melhor papel hoje é Raquel Lyra. Pelas entregas, pela política que ela vem fazendo, pelo diálogo com todo mundo. Ela não procura ver quem é de outro partido. Então, eu acho que as entregas do governo Raquel Lyra, a relação dela com o diálogo com as pessoas, é muito importante.
Deputados, vereadores, prefeitos e outras lideranças petistas no Estado de Pernambuco, apoiam a reeleição da governadora Raquel Lyra. João Paulo também. O Doriel, que foi o presidente do PT estadual, também apoia a Raquel Lyra. Eles não estão fazendo campanha explícita, porque eles são candidatos, podem se prejudicar. Como eu não sou candidato, eu não vou me prejudicar. Mas todo mundo sabe, no Estado, inclusive, isso é aberto. Vários vereadores do PT da Metropolitana do Estado estão com a Raquel Lyra e outras pessoas.
Existe pesquisa, inclusive, que diz que 40%, 52% dos eleitores de Lula hoje já votam em Raquel. E é esse o meu papel, de mostrar ao povo o que a governadora está fazendo, o que o PSB já fez com o PT a nível nacional e a nível Estado. Total contradição.”
Em defesa de Raquel
Ao explicar por que decidiu apoiar Raquel, Osmar colocou o diálogo político no centro de sua argumentação. Ele afirmou enxergar na governadora uma capacidade de conversar com prefeitos, parlamentares e lideranças de campos políticos diferentes. Conforme o petista, essa característica vai na contramão do comportamento que atribui a João Campos.
Osmar também fez uma defesa da gestão estadual. Citou investimentos e ações em áreas como infraestrutura, creches, hospitais, segurança pública e concursos para as forças policiais. Na leitura do vereador, a reorganização das contas estaduais e a capacidade de obtenção de recursos permitiram ao governo ampliar as entregas.
O petista também criticou a oposição enfrentada por Raquel na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Houve, diz ele, tentativas de dificultar remanejamentos e operações necessárias para a execução de políticas públicas. Ainda assim, argumentou, o governo conseguiu avançar. Na avaliação de Osmar, a governadora conseguiu construir uma imagem baseada na execução administrativa e, ao mesmo tempo, ampliar sua articulação política.
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“A gente entende também que ela pegou um desgoverno do PSB, da época de Eduardo Campos e de Paulo Câmara. Um desgoverno. Tanto é que Paulo Câmara disse que pegou o governo anterior com problemas. O governo anterior era o governo de Eduardo Campos. Foram oito anos de Eduardo Campos e oito anos de Paulo Câmara. O desgoverno era do PSB. E ele esteve na Fazenda também. Então, veja, é isso. O povo de Pernambuco cansou do PSB.
A gente tem uma governadora, uma pessoa que é mulher. Há um preconceito, de fato, inclusive deles, quando falam da mulher. E que está trabalhando. Ela tem uma palavra que é muito importante. Quando ela diz: ‘Me deixe trabalhar, que eu vou fazer as entregas’. E ela está fazendo isso. Eles articularam a oposição na Alepe, na Assembleia Legislativa do Estado, para não poder fazer as emendas e alocação de recursos de um lugar para outro. Mas, veja, eles fizeram isso o tempo todo. Mas, no final, ela conseguiu aprovar isso. E as obras estão na rua. Estão sendo as entregas, as creches, as estradas, os hospitais. A segurança pública não se fala. Colete, armamento, concurso público. Mais de três mil policiais foram chamados em menos de oito meses. Então, isso mostra que tem responsabilidade com o Estado. Eu entendo que o PSB não faz isso.”
‘Raquel mais próxima de Eduardo Campos que o próprio João’
Um dos momentos mais simbólicos da entrevista surgiu quando Osmar comparou os estilos políticos de Raquel Lyra, João Campos e Eduardo Campos. Mesmo fazendo críticas ao período de governos do PSB, o dirigente petista preservou uma diferença fundamental em relação a Eduardo: a capacidade de diálogo.
Osmar lembrou que o ex-governador conseguia construir pontes com forças da esquerda, do centro e da direita. Para ele, Eduardo compreendia a política como um processo de composição, negociação e convivência com as divergências.
Foi justamente nesse ponto que apresentou uma comparação particularmente dura para João.
Na avaliação pessoal de Osmar Ricardo, Raquel Lyra estaria hoje politicamente mais próxima do estilo de Eduardo Campos do que o próprio filho do ex-governador. De acordo com ele, Eduardo Campos conversava com prefeitos, construía alianças amplas e conseguia reunir diferentes segmentos em torno de seus projetos eleitorais. Osmar alega não identificar a mesma característica em João.
No entendimento do petista, a capacidade de olhar para adversários e aliados, conversar e estabelecer relações políticas foi uma das marcas de Eduardo e constitui atualmente um dos pontos mais fortes da governadora.
“Eduardo era do diálogo. Eu, particularmente, no meu olhar pessoal, vejo que Raquel Lyra está em uma linha muito mais próxima do que foi Eduardo do que o próprio filho. Porque Eduardo, quando fazia política, independentemente do lado político dele, ele dialogava e as pessoas votavam em Eduardo pelos feitos, digamos assim. As pessoas enxergavam Eduardo pelas construções que ele fazia com os prefeitos, inclusive. Eduardo juntou a esquerda, centro-direita, a direita na campanha dele de governador. E ele não consegue fazer isso, tá certo? Ele não consegue dialogar com as pessoas olhando no olho e falando a verdade.”
Críticas ao perfil político de João Campos
Osmar relaciona parte de suas divergências com João à própria trajetória política do socialista. Durante a conversa, recordou que Campos chegou muito jovem aos principais cargos eletivos. Foi deputado federal e, posteriormente, prefeito do Recife, sempre amparado, nos dizeres do petista, por uma estrutura política consolidada anteriormente pelo PSB.
O vereador contrapôs esse percurso à própria história. Osmar construiu sua militância a partir do movimento sindical e das estruturas de base do PT. Está ligado ao diretório municipal desde sua formação, presidiu a legenda no Recife em diferentes períodos, integra o Diretório Nacional e acumula seis mandatos de vereador.
É dessa perspectiva que ele critica o que considera uma dificuldade de João em lidar com o contraditório.
Para Osmar, falta ao socialista a disposição para o diálogo encontrada em lideranças políticas de gerações anteriores.
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O petista também fez críticas à ênfase de João nas redes sociais. Disse que a comunicação digital, os vídeos e a construção de uma imagem popular não podem substituir o debate político e a interlocução direta com a sociedade. Ao tratar da questão, explicou que governar e disputar posições de maior dimensão exige mais do que popularidade nas plataformas digitais.
“Ele nunca fez um concurso público. Ele foi eleito deputado federal com 20 anos, 21 de idade. E o mais votado de Pernambuco, entendeu? E depois se elege prefeito do Recife. E o sonho dele é fazer o que o pai dele tentou: ser presidente da República. Mas ele tem que passar pelo processo democrático popular, que é o voto, e respeitando as pessoas. Não perseguindo.
Nada mais, nada menos do que mostrar a outra face, a outra face de João Campos. Não é aquele cara que se diz que gosta de diálogo, que ele não gosta de diálogo com ninguém, tá certo? Ele é de pouca conversa, gosta de redes sociais, então ele faz a dancinha, o passinho, né? O cara do óculosinho. Mas ele tem que levar a política séria, porque a política com o socialismo que ele diz que defende, com a democracia que tem que defender, é com o debate político, com a sociedade de fato.
O PP reivindicou a vice dele […] e ele botou o amigo dele de faculdade, tirou do PSD, filiou ao PCdoB o Victor Marques […] e é o vice dele que está assumindo a prefeitura hoje, um amigo de escola, de faculdade, entendeu? Não é a política, não foi uma pessoa que construiu na política o reconhecimento do povo.”
João pediu a cabeça de Osmar
Foi ao falar dos bastidores nacionais da divergência que Osmar apresentou uma das revelações mais fortes de toda a entrevista. Segundo ele, João Campos procurou a direção nacional do PT para pedir sua expulsão da legenda. Osmar reagiu duramente à investida.
Para o líder histórico do PT, a iniciativa demonstrou falta de respeito à sua trajetória dentro do partido e comprovou a tentativa de resolver uma divergência política por meio do ‘tapetão’, com a busca de afastamento de uma liderança que decidiu fazer oposição.
Ao relembrar sua própria história, dimensionou o peso que possui dentro da estrutura petista. Osmar listou ter presidido o PT municipal do Recife por mais de quatro mandatos, de estar ligado à direção desde a fundação do diretório municipal e de integrar o Diretório Nacional. Também recordou uma breve saída da legenda anos atrás, mas seguida de retorno poucos meses depois. “Não sou qualquer pessoa, sou um militante”, afirmou.
O relato não se trata de uma divergência entre João Campos e um adversário tradicional do PT. Osmar pertence à história do partido em Pernambuco e construiu décadas de atuação dentro da própria legenda que hoje mantém uma composição eleitoral com o PSB. Ao pedir sua expulsão em razão de uma divergência política, João deixou escapar a dificuldade de convivência com posições contrárias, comentou.
“Campos foi até o PT Nacional pedir para me expulsar do PT, tá? O João Campos foi na direção nacional pedir para me expulsar do PT. Veja como pensa pequeno um cara que é presidente de partido nacional. E falando com alguém que tem mais de seis mandatos. Respeito político zero. Eu saí do PT em 2012, em 2014, na verdade, por conta de uma briga interna e tal. Depois voltei ao PT com menos de seis meses. Fui para outro partido e depois voltei ao PT. A minha volta eu discuti com a direção. Então, não sou qualquer pessoa, sou um militante. Já fui presidente do PT, tive mais de quatro mandatos como presidente municipal do Recife. Sou dirigente desde quando fundou o Diretório Municipal do Recife. Sou membro do Diretório Nacional.”
Relação com o PSB e acusações de perseguição
A constatação de perseguição atravessou diferentes momentos da entrevista. Osmar afirmou que sua experiência com o PSB o levou a enxergar um ambiente no qual haveria pouco espaço para contrapontos. Segundo ele, pessoas que discordam politicamente do grupo socialista terminam submetidas a pressões ou afastadas.
O dirigente também contestou a narrativa de integrantes do PSB de que o partido seria alvo de uma campanha coordenada de ataques.
Na avaliação dele, o que ocorre é, na verdade, o contrário.
Osmar citou ações judiciais e disputas envolvendo páginas, blogs, jornalistas e produtores de conteúdo críticos ao grupo socialista e afirmou que existe uma tentativa de impedir a circulação de denúncias e questionamentos. Ao tratar desses acontecimentos, sustentou que as críticas direcionadas à administração municipal devem ser analisadas a partir de documentos e investigações conduzidas por órgãos competentes, citando Tribunal de Contas, Ministério Público e estruturas policiais.
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“Vários blogs estão sofrendo, blogs que acusam ele, blogs que seguem ele. Estão sendo bombardeados por eles nas redes sociais, para derrubar o Instagram das pessoas. Eles entram com ações contra as blogueiras, várias blogueiras aqui no Estado de Pernambuco. Então, quem é que persegue o povo? São eles. Eles não querem que seja divulgada a verdade contra eles. Porque ninguém fala mentira, tudo está no Tribunal de Contas, Ministério Público, Polícia Federal, a DRACO, Polícia Estadual. Então, não tem mentira, não tem invenção de ninguém. Tudo que é falado, tudo que está sendo denunciado, tem… Ele tem culpa no cartório, entendeu? Então, ele tem que acabar com isso de estar botando no colo dos outros o que ele está fazendo contra as pessoas. Eu posso dizer: eu fui do lado de lá, conheço bem o PSB, sei quem são eles. Demorei a acordar.”
Afastamento de antigas lideranças socialistas
O líder histórico do PT também chamou atenção para o afastamento de quadros históricos do próprio PSB.
Segundo ele, personagens que participaram da construção e do crescimento político da sigla em Pernambuco perderam espaço nos últimos anos.
Osmar afirmou manter contato com algumas dessas lideranças e disse ouvir relatos de dificuldades de relacionamento e de falta de abertura para debates internos. A renovação geracional, alega, não deveria resultar no abandono da experiência acumulada pelos personagens que ajudaram a construir um partido.
Nesse aspecto, voltou a estabelecer uma diferença com a cultura política que diz ter conhecido ao longo de décadas no PT pernambucano, marcada, segundo ele, pela presença do movimento sindical, pela militância de base e por intensas divergências internas, mas também pela discussão entre diferentes correntes.
“Todos os caras do PSB mais antigo estão afastados do PSB. Porque ele afastou do governo, afastou da política, afastou de tudo. E agora chamar as pessoas antigas, que foram as caras responsáveis pelo crescimento do PSB em Pernambuco, é um direito, tá? É o direito do PSB fazer isso. Mas eu escutei muitos relatos de vários companheiros históricos do PSB, que a gente tem no dia a dia, de que é difícil a relação com eles, tá? Não querem debater, não querem enfrentar a realidade do Estado hoje, da política que ele está passando hoje.”
Feridas históricas entre PT e PSB
A atual composição eleitoral tampouco apaga, na avaliação de Osmar, um histórico de confrontos entre os dois partidos. Durante a entrevista, ele recuperou episódios de eleições anteriores e lembrou que PT e PSB já estiveram em lados opostos de disputas importantes.
O dirigente citou especialmente a eleição municipal de 2012, quando Geraldo Julio venceu a Prefeitura do Recife em meio a uma forte crise interna petista. Na leitura de Osmar, Eduardo Campos teve participação decisiva naquele processo político, que encerrou um período de governos do PT na capital e abriu caminho para a longa sequência de administrações socialistas.
Também mencionou posicionamentos do PSB durante momentos de crise nacional envolvendo o PT, incluindo o processo de impeachment de Dilma Rousseff, para questionar a tentativa atual de apresentar a relação entre as duas siglas como uma aliança política natural e permanente.
No entender de Osmar, há uma contradição entre determinadas posições adotadas historicamente pelo PSB e a aproximação atual com Lula. Ele interpreta o ato como resultado de uma necessidade eleitoral.
“Não podemos comparar o tamanho do PT do Recife, o PT estadual, não querendo diminuir nenhum outro partido, mas tem uma história. O que fez a gente perder a eleição foi a eleição que Eduardo Campos fez dentro do PT. Conseguiu fazer e, numa briga interna, sobrou para o PSB um soldado de Eduardo Campos, que foi Geraldo Julio em 2012.”
‘Soldado de Lula’ apenas quando interessa
O vereador pernambucano questionou o esforço de João Campos para se apresentar como um aliado próximo de Lula. Osmar recordou embates eleitorais anteriores entre PSB e PT e disse enxergar oportunismo na tentativa atual de aproximar as duas imagens.
O discurso de alinhamento com Lula é turbinado, na avaliação do dirigente, no timing exato em que João carece ampliar sua base eleitoral e dialogar com um eleitorado que ultrapassa os limites tradicionais do PSB.
É também por isso que Osmar atribui tanta importância à possibilidade de Lula não comparecer ao palanque socialista no primeiro turno. Para ele, a ausência impediria que a eleição estadual fosse reduzida a uma simples reprodução da disputa nacional e obrigaria os candidatos a serem avaliados principalmente por suas trajetórias e propostas em Pernambuco.
“É coerência. Em 2020, ele rasgou o leque contra o PT. […] Revoltaram contra a Dilma, lá no impeachment. Então, é uma política que, assim, quando eu preciso, eu sou soldado do Lula hoje. O maior defensor do Lula… Está se aproveitando hoje, porque não tem hoje onde buscar o voto, não tem como mentir para o povo de Pernambuco, porque a gente está esclarecendo para o povo quem é o PSB e quem é João Campos.”
Osmar crava vitória de Raquel Lyra
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Quando a conversa avançou para a projeção eleitoral, Osmar não demonstrou hesitação. Afirmou ter convicção na vitória de Raquel Lyra e disse enxergar totais condições para que a governadora vença ainda no primeiro turno. O petista mencionou levantamentos eleitorais que já indicariam vantagem crescente da governadora e avaliou que o início efetivo dos debates tende a ampliar essa diferença.
Para Osmar, Raquel chegará aos confrontos eleitorais munida das entregas realizadas pelo governo, enquanto João terá de responder aos questionamentos sobre sua má administração no Recife. O dirigente aposta que o embate direto entre os candidatos será determinante para a materialização de uma vitória governista.
A campanha permitirá ao eleitor, diz ele, confrontar a imagem pública construída nas redes sociais com o histórico administrativo de cada candidato.
“Eu acho que isso hoje é o suficiente para a gente derrotar ele. Eu não tenho dúvida que Raquel vai ganhar essa eleição. O Datafolha já dá 6%, outras pesquisas já dão 9%, outras pesquisas já dão 12%. Eu não tenho dúvida que Raquel vai ganhar a eleição no primeiro turno. Eu não tenho dúvida que ela vai derrotar ele no debate. Ela está preparada, ela está em uma linha política com muita coerência com as pessoas de Pernambuco. Então, eu acho que isso está fazendo ela valorizar muito mais as entregas, a participação dela no movimento do povo. E eu acho que isso vem grande. Muita gente acha que a eleição vai ser apertada. Não vai ser. Tem gente que aposta nesse negócio. Eu aposto que, nas entregas da governadora, quando começar a campanha de fato, a partir do dia 16, e começarem os debates, ele vai ser derrotado. Derrotado.”
Futuro do PT passa pela derrota do PSB
Mais do que uma preferência eleitoral circunstancial, o apoio de Osmar a Raquel está associado a um cálculo sobre o futuro do próprio PT em Pernambuco. Essa, talvez, seja uma das consequências políticas mais profundas apontadas por ele ao longo da entrevista.
Osmar reconhece que existe uma aliança nacional entre PT e PSB e não tenta minimizar sua importância. Ainda assim, avalia que uma vitória de João Campos poderia reduzir ainda mais o espaço político dos petistas no estado pernambucano.
Segundo sua leitura, com o PSB novamente no comando do governo estadual e mantendo uma relação privilegiada com um eventual novo governo Lula, o PT-PE poderia ocupar uma posição secundária dentro de seu próprio campo político. Por isso, Osmar vê uma derrota socialista sob outra perspectiva.
Para ele, um revés de João pode ser politicamente positivo para a militância, para os filiados e para a reconstrução da autonomia petista em Pernambuco. O dirigente foi categórico ao afirmar a derrota do socialista João Campos abriria uma nova etapa para o partido.
“O PT tem uma aliança nacional com o PSB, tá? A gente não pode dizer que isso não é real, isso é real. Agora, tem muitas pessoas hoje que vão votar em Raquel, que fazem política para não ver o PSB novamente no poder. Vamos dizer que Lula se reeleja, que eu tenho certeza que vai se reeleger, e vamos supor que ele ganha essa eleição. O PT Pernambuco não ia valer nada, porque ele ia estar lá, junto do governo, tendo as informações privilegiadas e passando para o segundo partido dos trabalhadores. Eu tenho certeza que a derrota dele vai fazer bem aos militantes filiados do PT, simpatizantes do PT e ao povo pernambucano também. A derrota dele vai ser a melhor coisa para Pernambuco, porque ele não vai poder perseguir ninguém. Eles se tornam de vítima. A vítima aqui é o povo de Pernambuco. E eu acho que isso vai ser demonstrado logo, logo, quando começar de fato a campanha.”
PT pode voltar a ter candidatura própria no Recife
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A reorganização imaginada por Osmar não se limita ao cenário estadual. Ele acredita que o resultado da atual disputa poderá influenciar diretamente as próximas eleições municipais na capital Recife. Caso João não consiga chegar ao governo de Pernambuco, Osmar avalia que o PT poderá recuperar espaço para discutir uma candidatura própria à Prefeitura recifense.
O Partido dos Trabalhadores já governou o Recife, mas perdeu o comando municipal para o PSB em 2012 e nunca mais retornou ao poder.
Osmar defende um PT novamente disposto a apresentar diretamente à população seu projeto de cidade.
Na visão dele, isso recuperaria características que considera fundamentais na história petista: diálogo com os bairros, participação popular, valorização dos trabalhadores e discussão pública sobre a aplicação dos recursos arrecadados. Ele também defende que a população tenha maior participação na definição das prioridades orçamentárias.
“Dialogar com o povo, ouvir o povo, valorizar o povo”, mencionou ao justificar o modelo que gostaria de ver novamente protagonizado pelo PT.
“A gente está firme. Eu acho que a gente vai poder ter candidatura própria se João Campos não se eleger governador, que ele não vai se eleger. Então o PT no Recife pode ter candidato a prefeito e disputar uma eleição, mostrando o que a gente, o PT, sabe fazer. Dialogar com o povo, ouvir o povo, valorizar o povo, para que o povo opine onde vai gastar o dinheiro que é arrecadado por eles, que é pago por eles, onde deve ser gasto. Não de forma aleatória, com aditivos, obras inacabadas. Isso aí é que não pode acontecer mais nem no Recife e nem mais em Pernambuco.
Em Pernambuco isso foi dado um basta três anos e meio atrás, quando Raquel assume e toma essa liderança, organiza o Estado, as contas do Estado, bota as coisas em dia para poder ter empréstimo. Tem que botar as contas em dia. Então não é qualquer coisa. Ela trabalhou muito, a gente sabe disso. O projeto não sai do papel andando. Sai porque tem ideias, tem diálogo com as pessoas, com os prefeitos, com os deputados, e assim anda. Então eu acho que a derrota dele vai ser muito importante.”
Disputa que vai além da eleição
Ao final de uma conversa que percorreu a relação de Lula com o palanque pernambucano, a administração do Recife, a ascensão de Raquel Lyra, os conflitos internos do PT e décadas de convivência entre petistas e socialistas, Osmar deixou claro que enxerga a atual disputa como algo maior do que uma simples escolha entre dois candidatos.
Pernambucano, nascido na década de 1960 e formado politicamente em uma geração que acompanhou de perto a reorganização da esquerda no estado, a consolidação do PT e as diferentes fases de ascensão do PSB, Osmar entende que está em jogo também uma nova correlação de forças na terra dos altos coqueiro.
De um lado, o PSB tenta recuperar o comando estadual depois de um longo período de hegemonia, interrompido pela eleição de Raquel Lyra. De outro, setores petistas representados por Osmar enxergam justamente em uma derrota a possibilidade de o PT recuperar autonomia, musculatura e protagonismo próprios no estado.
Mesmo permanecendo no PT e na estrutura nacional, ele busca manter as raizes no estado e, por consequência, reivindica uma trajetória que foi construída ao longo de décadas dentro da legenda. Ao mesmo tempo, decidiu se contrapor publicamente à aliança firmada pelo próprio partido em Pernambuco, sustentando que a preservação dos interesses históricos do PT não necessariamente passa pela continuidade do projeto estadual do PSB.
Sua aposta é que o partido pode sair politicamente maior caso deixe de orbitar em torno do ‘projeto amarelo’ no estado. Logo, uma derrota de João Campos não encerraria apenas uma disputa eleitoral, mas tenderia a abrir caminho para uma reorganização mais profunda do campo político pernambucano e, particularmente, do espaço ocupado pelo PT dentro dele.
Osmar Ricardo acredita que esse novo ciclo permitiria ao partido restabelecer um projeto próprio, inclusive no Grande Recife, retomando uma tradição de candidaturas competitivas e de governos municipais que marcou a presença petista na política pernambucana antes de o PSB assumir o comando da capital.
No encerrar da entrevista, voltou a defender uma política baseada no diálogo, na participação popular e na capacidade de construção com prefeitos, parlamentares, trabalhadores e diferentes setores da sociedade. Dentro desse tabuleiro político, situam suas principais diferenças em relação a João Campos e, ao mesmo tempo, sua aproximação circunstancial com Raquel Lyra.
Depois de décadas de militância no PT, seis mandatos na Câmara do Recife, sucessivas passagens pela direção municipal e participação no Diretório Nacional, a posição assumida por Osmar pode ser entendida menos como uma ruptura com sua trajetória e mais como resultado dela. Sua resistência à aliança com João Campos carrega também uma disputa pelo espaço que o próprio PT construiu em Pernambuco e que, ao longo dos anos, acabou reduzido diante dos hegemonia alcançada pelo PSB e pelas forças políticas reunidas em torno das famílias Arraes e Campos.
A sua escolha, dado a isso, ultrapassa o apoio a Raquel Lyra ou a oposição a João Campos, por almejar o lugar que o PT pretende ocupar no futuro político de Pernambuco para as próximas gerações, e ver se a sigla continuará como parte de uma composição liderada pelos socialistas ou se voltará a disputar, em nome próprio, o protagonismo que já exerceu no estado e, sobretudo, na capital.
Fonte: Conexão Política