O sistema de pagamentos instantâneo brasileiro, o Pix, voltou a ser alvo direto do governo dos Estados Unidos. Em relatório divulgado em 31 de março pelo Escritório do Representante Comercial (USTR), o governo de Donald Trump incluiu o Pix em uma lista de “barreiras comerciais” que prejudicariam empresas americanas, como Visa e Mastercard. O documento acusa o Banco Central do Brasil de conceder tratamento preferencial à plataforma, o que, na visão de Washington, fere a competitividade de fornecedores de serviços de pagamento dos EUA.
A menção no relatório National Trade Estimate de 2026 intensifica uma investigação aberta em julho do ano passado sob a Seção 301 do Trade Act de 1974. De acordo com especialistas em direito econômico, embora os EUA não tenham poder para intervir diretamente na regulação do Banco Central do Brasil, eles possuem “armas comerciais” potentes. As medidas de retaliação podem incluir a imposição de novas tarifas sobre exportações brasileiras ou a suspensão de acordos de benefícios tarifários, funcionando como um mecanismo de pressão econômica sobre o Estado brasileiro.
O governo brasileiro reagiu prontamente às críticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “o Pix é do Brasil” e que nenhuma pressão externa fará o país alterar o funcionamento do sistema. O embate ultrapassou as fronteiras nacionais, recebendo apoio do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que elogiou o modelo brasileiro e sugeriu sua implementação em território colombiano. Para a gestão Lula, a defesa do Pix tornou-se uma bandeira de soberania nacional e um ativo político estratégico para as eleições de 2026.
Especialistas apontam que a “alfinetada” americana reflete uma preocupação maior com a soberania de dados e o controle sobre infraestruturas financeiras críticas. O Pix representa um modelo de infraestrutura pública que reduz a dependência de redes privadas estrangeiras, concentrando no Brasil o controle sobre fluxos financeiros. O impasse ocorre em um momento de diplomacia delicada entre Lula e Trump, onde o desfecho da investigação dependerá mais da eficácia das negociações bilaterais do que de critérios puramente técnicos.
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Fonte: News Rondônia