Em uma declaração que elevou as tensões diplomáticas no continente, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira que o governo americano está preparado para realizar operações militares unilaterais em solo latino-americano. A fala ocorreu durante a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, realizada na sede do Comando Sul, na Flórida, com a presença de representantes de 16 países da região.
Hegseth baseou a nova postura no chamado “Corolário Trump à Doutrina Monroe”, política que reafirma a hegemonia de Washington sobre as Américas e busca expulsar a influência de potências extrarregionais. Segundo o secretário, o objetivo é garantir acesso irrestrito a áreas estratégicas e impedir que nações externas ameacem a “paz e independência” do hemisfério comum. Especialistas em geopolítica classificam a declaração como uma ameaça gravíssima à soberania nacional, alertando que o combate ao narcotráfico tem sido utilizado como pretexto para intervenções militares abertas.
Enquanto nações como Equador e Paraguai têm estreitado laços militares com os EUA — incluindo projetos que preveem imunidade penal para soldados americanos em solo estrangeiro —, Brasil e México mantêm uma postura de cautela. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, defendeu a coordenação entre iguais, sem subordinação, enquanto o presidente Lula busca incluir o combate ao crime organizado na agenda com Donald Trump, mas preservando a distinção entre cooperação policial e defesa da soberania territorial.
A reação de outros líderes regionais foi imediata. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, criticou a intenção unilateral de Washington, afirmando que os EUA “não saberiam como fazer” o combate aos cartéis sozinhos e que a destruição das máfias exige uma união real, e não imposições. O cenário de militarização do combate às drogas preocupa analistas, que veem um risco real de desestabilização democrática e constrangimento inaceitável à autodeterminação dos povos latino-americanos.

