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Estudo aponta que inflação de alimentos no Brasil é fenômeno estrutural

A inflação dos alimentos no Brasil não é apenas fruto de safras ruins ou variações do dólar, mas sim um problema estrutural do modelo econômico do país. Um estudo divulgado nesta terça-feira, 31 de março, pela ONG ACT Promoção da Saúde e pela Agência Bori, revela que, entre 2006 e 2025, o preço da comida subiu 302,6%, enquanto o índice geral de inflação (IPCA) ficou em 186,6%. O levantamento, conduzido pelo economista Valter Palmieri Junior, da Unicamp, destaca que essa pressão permanente sobre os preços atinge principalmente os itens saudáveis.
De acordo com a pesquisa, o modelo agroexportador brasileiro prioriza o envio de grãos como soja e milho para o exterior, reduzindo a área de plantio de alimentos básicos como arroz e feijão. Enquanto as terras destinadas a commodities dobraram em duas décadas, a área para cultivos de consumo interno encolheu drasticamente. Esse cenário faz com que o mercado internacional dite os preços do que o brasileiro coloca no prato, elevando os custos de carnes, frutas e legumes acima da média nacional.
Outro ponto crítico abordado pelo estudo é o barateamento relativo dos produtos ultraprocessados. Devido ao uso de aditivos químicos e ingredientes industriais de baixo custo, itens como refrigerantes e embutidos tornaram-se mais acessíveis ao poder de compra do brasileiro do que hortaliças e frutas. O pesquisador alerta que essa “inflação seletiva” empurra as famílias para padrões alimentares menos saudáveis, além de mencionar a “inflação invisível”, onde produtos mantêm o preço, mas perdem qualidade nutricional.
Para reverter essa trajetória, o estudo sugere o fortalecimento de órgãos como a Conab e a ampliação do crédito agrícola condicionado ao abastecimento do mercado interno. A desconcentração da cadeia produtiva, hoje dominada por poucos grupos estrangeiros de sementes e insumos, também é apontada como essencial para garantir a soberania alimentar. O autor reforça que o preço da comida é uma escolha política que define o acesso da população a uma vida saudável e digna.
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Fonte: News Rondônia

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