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Especialistas desmentem mito da “gripe masculina” que viralizou nas redes

A ideia de que homens sofrem sintomas mais intensos ao contrair uma gripe voltou a ganhar força nas redes sociais nos últimos dias, mas especialistas alertam que a afirmação carece de base científica. Publicações que viralizaram recentemente sugerem que a biologia masculina explicaria uma suposta demora maior na recuperação e dores mais agudas. No entanto, médicos ouvidos pelo portal g1 reforçam que a produção de anticorpos e a resposta imunológica ao vírus da influenza são idênticas entre homens e mulheres.
A confusão atual foi alimentada pelo uso distorcido de um artigo do British Medical Journal (BMJ). Internautas citaram o texto como evidência científica, ignorando que ele faz parte de uma edição especial de Natal, tradicionalmente dedicada a conteúdos satíricos e irônicos. No artigo, o autor brinca com o conceito de “man flu” (gripe masculina), sugerindo teorias infundadas sobre conservação de energia. A infectologista Luana Araujo explica que utilizar essa peça humorística para justificar a fisiologia humana é uma extrapolação sem qualquer rigor acadêmico.
Se a biologia não explica o fenômeno, o comportamento social oferece respostas. Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a percepção de que mulheres se recuperam mais rápido está ligada à falta de espaço para o autocuidado feminino. Muitas mulheres mantêm a rotina doméstica e profissional mesmo doentes, enquanto o público masculino, por construções culturais, tende a verbalizar mais o desconforto e interromper atividades. “É uma questão social onde a mulher muitas vezes não tem a opção de parar”, destaca Luana Araujo.
Enquanto o debate circula na internet, os dados reais de saúde pública exigem atenção. Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pela gripe quase dobraram no Brasil em 2026, saltando de 1.838 registros no início de 2025 para 3.584 no mesmo período deste ano. A recomendação médica unânime é a vacinação, especialmente para grupos de risco como idosos, crianças, gestantes e profissionais da saúde, independentemente do gênero.
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Fonte: News Rondônia

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