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Especialistas alertam para avanço da nicotina entre jovens

O Brasil enfrenta um desafio crescente na saúde pública: a transição do combate ao tabagismo tradicional para o enfrentamento de uma indústria da nicotina cada vez mais tecnológica e agressiva. Em evento alusivo ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado neste 31 de maio, o diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, destacou que a maior parcela das vítimas dessa estratégia comercial são adolescentes e jovens. “Me impressiona a desinformação, porque um produto que mata um em cada dois usuários não deveria existir”, afirmou.
O apelo dos dispositivos eletrônicos
O Ministério da Saúde alerta que dispositivos como vapes e pods, além de cigarros com sabores e aromas artificiais, tornam a iniciação ao fumo muito mais palatável e atraente. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicam que cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem tabaco nas Américas, sendo que dois milhões utilizam cigarros eletrônicos. No Brasil, o custo anual com doenças relacionadas ao tabagismo pode chegar a 153 bilhões de reais, segundo estudos recentes do INCA.
Para especialistas, o setor fumageiro utiliza essas novas tecnologias para garantir a dependência de novas gerações. “O que temos é um transicionamento para drogas com mais tecnologia, sais de nicotina e produtos que captam gerações inteiras para a dependência”, explica Vera Luiza da Costa e Silva, secretária-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS.
Disputa jurídica e viabilidade industrial
Desde 2012, a Anvisa tenta implementar uma resolução que proíbe aditivos que conferem sabor e aroma ao tabaco, visando reduzir sua atratividade. A medida, contudo, enfrenta sucessivas contestações judiciais pela indústria fumageira. Um artigo publicado este ano na revista Tobacco Control refuta o argumento da indústria de que a proibição inviabilizaria a produção nacional. Baseada em dados da Anvisa, a pesquisa aponta que cerca de metade das marcas registradas no país em 2025 já não utilizava os aditivos vetados, comprovando a viabilidade técnica e logística da medida.
O INCA defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) proíba definitivamente o uso desses aditivos para consolidar a validade nacional da norma e encerrar a insegurança jurídica. A coordenadora de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, reforça que não existe dispositivo eletrônico seguro. “O tabagismo se torna uma doença pediátrica. Precisamos que pediatras e famílias estejam atentos, pois essa fase da vida é marcada por vulnerabilidade social e pela busca por pertencimento através das redes sociais”, conclui.
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Fonte: News Rondônia

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