Se Liga Rondônia
Se Liga Rondônia

Entre o legado de Rondon e o silêncio da violência: o grito por justiça de Gleicia Arikapú

Em um dia dedicado à memória do patrono das Armas de Comunicações, Marechal Rondon reconhecido não apenas por seu papel estratégico, mas também por sua postura humanista e por sua defesa incansável dos povos da floresta, a realidade apresenta um contraste doloroso. Foi ele também quem rompeu barreiras ao permitir o casamento entre indígenas e não indígenas, além de adotar o lema que sintetiza sua visão de mundo: “morrer, se preciso for; matar, nunca”.

Diante desse cenário, a Assembleia Legislativa de Rondônia, no dia 04, realizou uma homenagem em memória de Gleicia, manifestando repúdio ao feminicídio e chamando atenção para a gravidade da violência contra mulheres, especialmente nas comunidades indígenas. O gesto, embora simbólico, reforça a necessidade de debate público e de ações mais efetivas para enfrentar essa realidade.
Décadas após a criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), idealizado sob princípios que buscavam garantir dignidade e direitos às populações originárias, o Brasil enfrenta um cenário alarmante. O crescimento vertiginoso dos casos de feminicídio revela uma crise profunda que atravessa diferentes camadas da sociedade e que agora atinge também, de forma cada vez mais visível, as comunidades indígenas.
A morte de Gleicia não é um fato isolado; ela se soma a estatísticas que evidenciam a vulnerabilidade de mulheres indígenas, frequentemente expostas a múltiplas formas de violência, seja pelo isolamento geográfico, pela ausência de políticas públicas eficazes ou pela invisibilidade social. Esse episódio reforça a urgência de revisitar não apenas o legado histórico de proteção aos povos indígenas, mas também de transformá-lo em ações concretas no presente.
Celebrar Rondon, portanto, não deve ser apenas um exercício de memória, mas um chamado à responsabilidade. É preciso resgatar, na prática, os valores que ele defendeu: respeito, proteção e justiça. Sem isso, datas comemorativas correm o risco de se tornarem apenas símbolos vazios diante de uma realidade que clama por mudança.
Prof. Dr. Lourismar Barroso
Historiador/Escritor

Veja mais notícias


Fonte: News Rondônia

+Notícias

Últimas Notícias