A Dívida Pública Federal (DPF) apresentou um crescimento de 2,31% no mês de fevereiro, saltando de R$ 8,641 trilhões para R$ 8,841 trilhões. Segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (26), o avanço foi reflexo direto de uma emissão líquida positiva, onde o governo vendeu R$ 102,81 bilhões a mais em títulos do que resgatou. O movimento concentrou-se especialmente em papéis prefixados, que oferecem taxas definidas com antecedência aos investidores, buscando conferir maior previsibilidade ao cronograma de pagamentos da União.
Além das novas emissões, o estoque da dívida foi impactado pela apropriação de R$ 77,76 bilhões em juros. Com a taxa Selic fixada em 14,75% ao ano, o custo de carregamento do endividamento permanece elevado, pressionando as contas públicas. No cenário externo, a dívida denominada em moeda estrangeira também registrou alta de 6,13%, atingindo R$ 329,65 bilhões, influenciada pelo lançamento de US$ 4,5 bilhões em títulos no mercado internacional durante o mês passado.
Reserva financeira e composição dos títulos
Para garantir a solvência em momentos de crise, o governo manteve o chamado “colchão da dívida” em níveis robustos, encerrando fevereiro com R$ 1,192 trilhão em reserva. Este montante é suficiente para cobrir aproximadamente 6,4 meses de vencimentos futuros. No entanto, o Tesouro prevê uma redução nessa reserva para o relatório de março, devido à recompra de R$ 49 bilhões em títulos realizada para estabilizar o mercado após o início das tensões bélicas no Oriente Médio.
Atualmente, a maior parte da dívida brasileira (49,1%) está vinculada à taxa Selic, seguida por títulos corrigidos pela inflação (25,85%) e prefixados (21,33%). A participação de investidores estrangeiros, conhecidos como “não residentes”, subiu levemente para 10,75%, sinalizando uma melhora na confiança externa antes do agravamento da instabilidade global. O Plano Anual de Financiamento (PAF) estabelece que o governo buscará manter o estoque dentro de intervalos que garantam a sustentabilidade fiscal, mesmo diante da volatilidade do dólar e dos juros.
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Fonte: News Rondônia