No Dia Internacional da Mãe Terra, ou Dia da Terra, no dia 22 abril, Abrafiltros aponta que estresse hídrico global estagnado em 18% e perdas de água que chegam a 41% no país, o setor de filtração surge como recurso tecnológico indispensável para viabilizar o reúso, a dessalinização, a preservação dos mananciais, a eficiência industrial e redução do desperdício.
A crise hídrica global e os desafios do saneamento no Brasil expõem, com cada vez mais clareza, a necessidade de tecnologias capazes de preservar mananciais, ampliar a disponibilidade de água e reduzir desperdícios. No Dia Internacional da Mãe Terra, ou Dia da Terra, celebrado no dia 22 abril, a Abrafiltros – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, efluentes e Reúso, destaca o tema sobre a falta mundial de água e o saneamento no Brasil. Essa relação mostra que há estresse hídrico global estagnado em 18% desde 2015 e perdas de água que chegam a 41,51% na distribuição no Brasil – bem acima do limite de 25% estabelecido pela Portaria nº 490/2021. Para compensar esse desequilíbrio, o setor de filtração desponta como pilar tecnológico indispensável para viabilizar o reúso, a dessalinização, a preservação dos recursos hídricos, a eficiência industrial e o combate ao desperdício.
Apesar de a ampliação dos investimentos em saneamento desde a sanção do Marco Legal, em 2020, ter impulsionado o volume de recursos da União de R$ 830 milhões para R$ 1,73 bilhão em 2025, os números ainda são preocupantes no Brasil e no mundo. Segundo Relatório da ONU divulgado em 2026, o planeta Terra entrou em falência hídrica global, a demanda ultrapassou os limites de consumo e as entradas renováveis, mantendo o estresse hídrico em patamares críticos e constantes (18%) desde 2015. Em muitas regiões, já se vive além da capacidade hídrica disponível.
Dados do portal do ODS 6 da ONU-Água mostram que somente 74% da população mundial utiliza um serviço de água potável de forma segura, 58% tem acesso a serviço de saneamento gerido de forma segura e apenas 56% da água residual doméstica global é tratada adequadamente. Ou seja, quase metade do esgoto gerado no planeta ainda retorna ao meio ambiente sem tratamento adequado, impactando de alguma forma rios, aquíferos, solos e ecossistemas, além de comprometer a saúde pública.
No contexto brasileiro, o Ranking de Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil demonstra que as metas de universalização até 2033 exigem um ritmo de investimento muito mais acelerado, além de evidenciar o abismo regional entre Norte/Nordeste e Sul/Sudeste. As 20 melhores cidades do País apresentam 98,08% de coleta de esgoto, enquanto as 20 piores possuem apenas 28,06%. No tratamento de esgoto, o contraste se repete: 77,97% nas 20 melhores contra 28,36% nas 20 piores.
Os dados de investimentos também revelam a distância em relação à universalização. Segundo o estudo, os 20 municípios com pior desempenho no Ranking investem, em média (de 2020 a 2024), R$ 77,58 por habitante – valor cerca de 66% inferior aos R$ 225,00 por habitante previstos pelo PLANSAB para universalizar o saneamento até 2033 e 56% menor do que os R$ 176,17 por habitante investidos pelos 20 municípios com melhor performance.
“A crise hídrica global é resultado não só da escassez do recurso em si, mas também da gestão, às vezes, ineficiente, da poluição e do desperdício, por isso cada um deve fazer a sua parte para reverter este cenário”, afirma Professor Fábio Campos, Coordenador da Câmara Setorial de Filtros para Estações de Tratamento de Água, Efluentes e Reúso – CSFETAER da Abrafiltros – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, Efluentes e Reúso. Campos, que também é doutor em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da USP – FSP/USP, atua à frente à Câmara Setorial, desde 2020, ano em que foi criada para desenvolver iniciativas que estimulem o diálogo entre representantes da cadeia produtiva, do poder público e da sociedade civil sobre as inovações tecnológicas em filtros e sistemas de filtração pertinentes à proteção dos recursos hídricos. Ele destaca que o setor de filtração oferece tecnologias avançadas para melhoria dos índices de disponibilidade e qualidade da água, com atuação em diversas frentes: reúso de água, dessalinização, proteção e recuperação de mananciais, eficiência industrial e redução do desperdício.
Filtração como recurso tecnológico para melhores resultados – Campos ressalta que processos avançados de filtração permitem o reúso da água em processos industriais e domésticos, a partir de tecnologias como membranas de ultrafiltração e osmose reversa. “A filtração de efluentes reduz a carga de poluentes que retornam aos rios, contribuindo diretamente para a recuperação da qualidade da água e dos corpos hídricos. Já a dessanilização por meio da Osmose Reversa de alta eficiência pode ser uma alternativa estratégica para o abastecimento em regiões litorâneas”, comenta.
A filtração também é aliada fundamental na prevenção da contaminação ambiental. “A retenção de microplásticos e micropoluentes por filtros de alta precisão, desenvolvidos para capturar partículas que os sistemas convencionais não detêm, é um dos caminhos para mitigar impactos que hoje ainda passam ‘invisíveis’ nos processos de tratamento. Há ainda tecnologias para filtragem de águas pluviais, capazes de remover metais pesados e sedimentos das vias antes que cheguem aos rios”, acrescenta o professor.
No ambiente industrial, a tecnologia de filtração contribui diretamente para a eficiência dos processos e a economia de água. “Filtros de óleo e de fluidos de corte, por exemplo, ajudam as máquinas a trabalharem por mais tempo com o mesmo volume de líquido, reduzindo o descarte e o consumo de água para resfriamento e limpeza. O monitoramento da qualidade em tempo real, acoplado a sistemas de filtração, permite intervenções rápidas antes que grandes volumes sejam contaminados ou desperdiçados por falhas no sistema”, enfatiza.
Mercado de filtros: tecnologia em expansão a serviço da sustentabilidade hídrica – A relevância da filtração na agenda da água e do saneamento se traduz também em um mercado em expansão. Na última edição do Panorama Setorial 2022 – “O Mercado de Filtros em Dados, Perspectivas & Desenvolvimento Sustentável”, publicada pela Abrafiltros, o mercado global de filtros foi estimado em US$ 70,4 bilhões em 2020, de acordo com a consultoria Grand View Research, com projeção de crescimento anual médio de 4,7% entre 2021 e 2028. Esse avanço é impulsionado, sobretudo, pela ênfase na redução de emissões de poluentes nas aplicações industriais e automotivas e pela necessidade crescente de tratamento e reúso de água.
No Brasil, o faturamento de todo o setor de filtros alcançou R$ 7,029 bilhões em 2022, sendo aproximadamente R$ 2,0 bilhões no segmento industrial, R$ 3,9 bilhões no automotivo e R$ 1,11 bilhão nos filtros para ETA/ETE, segundo estimativas do estudo. O setor de filtros industriais é o segundo maior em participação, com quase 25% do total. A expectativa da Abrafiltros é atualizar esses números em breve, à medida que a demanda por soluções de filtração avança em conjunto com os investimentos em saneamento, meio ambiente e produtividade industrial.
Usados em praticamente todas as fábricas, os filtros industriais apresentam aplicações para água, ar e gases. Nos processos industriais são empregados filtros bolsa, cartucho, cesto, separadores centrífugos, filtros para gás, autolimpantes e sistemas de ultrafiltração, entre outros. No tratamento de água nas indústrias, ganham destaque filtros de leito de carvão e areia, desmineralizadores, abrandadores, sistemas de osmose reversa e membranas. Já os filtros de ar e gases são projetados para garantir a qualidade do ar conforme as exigências da aplicação – tanto no processo produtivo quanto no ambiente – retendo impurezas no insuflamento e na exaustão. As aplicações são amplas e diversificadas, cobrindo desde a indústria pesada até setores de alta exigência sanitária, como alimentos, bebidas e farmacêutico.
Diante do quadro de escassez hídrica e desigualdades no saneamento, a Abrafiltros reforça que a combinação entre investimentos estruturantes no setor, melhor gestão dos recursos, combate às perdas e adoção intensiva de tecnologias de filtração será decisiva para garantir segurança hídrica, proteção ambiental e qualidade de vida para a população.
Sobre a Abrafiltros:
Criada em 2006, a ABRAFILTROS – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, efluentes e Reúso – tem a missão de promover a integração entre as empresas de filtros e sistemas de filtração para os segmentos automotivo, industrial e tratamento de água, efluentes e reúso, representando e defendendo de forma ética os interesses comuns e consensuais dos associados.
(Fonte: Verso Comunicação e Assessoria de Imprensa – Jornalista responsável – Majô Gonçalves)
Fonte: Tribuna Popular